Erro de projeto causou naufrágio da P-36

A relatório final da comissão que investiga o acidente ocorrido em março na plataforma P-36, na Bacia de Campos, vai alertar a Petrobras para um problema grave: as explosões que atingiram na plataforma, provocando a morte de onze operários e o naufrágio da P-36, foram causadas por um erro de projeto que está presente, também, em outras duas plataformas hoje em funcionamento, a P-18 e a P-19. A Petrobras promete divulgar amanhã o resultado oficial da investigação, após dois adiamentos - inicialmente, o resultado estava previsto para o dia 15, quando o afundamento da P-36 completou três meses. A comissão vai apontar como principal causa do acidente a localização do tanque de drenagem de resíduos, que ficava no quarto andar de uma das colunas da plataforma, e fará uma recomendação para que a estatal proíba essa prática em novos projetos. "A Petrobrás também será obrigada a rever o projeto da P-18 e da P-19", afirma o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Fernando Carvalho, que tem um representante na comissão, Antônio Carlos Rangel. "Colocar o tanque de gás na coluna de sustentação é suicídio", diz Carvalho. A P-36 foi originalmente projetada para perfuração, com uma pequena planta de processamento de óleo. A mudança do projeto, com o equipamento já no meio da obra, tornou necessárias algumas adaptações. A instalação de um tanque de resíduos químicos numa das colunas de sustentação foi, segundo um técnico que trabalhou no projeto, a solução encontrada para ganhar espaço na P-36. Na maioria das plataformas de produção, o tanque, que acumula gás descartado no sistema, fica no convés da base.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.