Erro de comunicação fracassa greve dos caminhoneiros

O ministro dos Transportes, João Henrique de Almeida, deverá atender algumas das reivindicações apresentadas ao governo pelos caminhoneiros para evitar que a paralisação, iniciada neste domingo, vá adiante. Segundo a assessoria do ministro, nos próximos dias será feita uma sinalização aos caminhoneiros nessa direção. No entanto, os assessores do ministro não quiseram adiantar o que será oferecido. Um mal-entendido em relação ao horário para iniciar a greve nacional acabou exigindo um esforço dobrado da coordenação do movimento para garantir uma adesão maior da categoria.Segundo José da Fonseca Lopes, presidente da Federação Interestadual dos caminhoneiros autônomos (Fetrabens) e coordenador da greve nacional, houve uma confusão porque muitos caminhoneiros achavam que a paralisação, marcada para a zero hora de domingo, começaria apenas nas primeiras horas da segunda-feira. No entanto, a intenção era iniciar o movimento no próprio domingo. "Com isso, alguns acabaram rodando, mas conseguimos acertar isso e a adesão foi muito positiva", disse, ressaltando que passou a manhã do domingo no telefone. As oito linhas telefônicas disponíveis na federação não pararam de tocar. Mais de 50 lideranças em todos País foram mobilizadas para organizar o movimento e corrigir a confusão. Segundo a Fetrabens, a frota de caminhões em todo País é de 1,2 milhões, sendo que 400 mil são autônomos. São Paulo responde por cerca de 40% desse total, com 487 mil caminhões.Lopes fez questão de destacar que a ordem da coordenação nacional do movimento é não fazer piquetes ou qualquer tipo de bloqueio nas estradas. "Não queremos piquetes. Isso é uma coisa ultrapassada hoje no País. Queremos um movimento pacífico", afirmou. "A intenção é mostrar que o caminhoneiro está parando simplesmente porque não tem condições para trabalhar. Por isso, recomendamos que eles fiquem em casa, no pátio da transportadora ou em algum posto", completou.Entre as reivindicações emergenciais da categoria estão: o aumento da segurança nas estradas, a redução de 30% no valor do óleo diesel e congelamento do preço por 6 meses, o cumprimento do decreto que obriga as empresas a fornecerem vale-pedágio aos caminhoneiros, a adoção de uma tabela de referência para fixação do valor mínimo dos fretes e o cumprimento do artigo 257 do Código Nacional de Trânsito, que transfere do caminhoneiro para o embarcador da mercadoria a multa por excesso de peso. "Hoje, o caminhoneiro é obrigado pela empresa a levar carga acima do peso e quando é multado ainda leva quatro pontos na carteira", afirma Lopes.Todas essas reivindicações foram encaminhadas ao ministro dos Transportes numa reunião na última semana. Segundo a assessoria do ministro, a pauta vem sendo trabalhada com outros ministério já que as queixas envolvem temas que fogem à alçada dos Transportes. Por isso, a lista dos caminhoneiros foi repassada também aos Ministérios das Minas e Energia e da Justiça. "A expectativa é que seja possível atender algumas das reivindicações", afirmou um assessor do ministro dos Transportes.

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