Eram moscas macho. Fizeram delas gays

Moscas macho podem ser induzidas, sob determinada condição, a tornar-se gays. A afirmação, que para muitos certamente parecerá brincadeira, foi publicada na respeitadíssima PNAS - Proceedings of the National Academy of Sciences, a revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Ela se refere a um trabalho de Toshihiro Kitamoto, do Instituto de Pesquisa Beckman, da Califórnia, mas sabe-se que estudos anteriores foram desenvolvidos anos atrás por um grupo de biólogos na Suíça. Foram escolhidos exemplares da Drosophila malanogaster, a conhecida mosca das frutas, muito usada em experiências biológicas. Deve-se esclarecer que os gays voltam, mais tarde, a assumir o comportamento heterossexual e a dedicar-se às conquistas amorosas com as mosquinhas que tanto admiravam antes da experiência sexual a que foram expostos. Voltando à experiência, os estudos indicaram que as preferências sexuais daquele grupo selecionado dependiam da ação de um ou mais genes. Esses genes agiriam sobre as conexões sinápticas, que, como se sabe, são os pontos de comunicação entre um neurônio e outro, determinando o sexo para o qual o elemento estudado passaria a dedicar suas atenções. Kitamoto introduziu em algumas daquelas moscas macho um gene especial que atua sobre aqueles pontos de comunicação. Ponto importante: o tal gene age apenas sob determinadas condições de temperatura, o que permite ligá-lo e desligá-lo conforme se faça subir ou descer o termômetro. Bem, acionado o gene, o que acontecia com os machões? Simplesmente passavam a desprezar as fêmeas e a adotar um comportamento pré-copulatório para com outros machos. Como é que uma mosca no cio "canta" um macho? Ela faz vibrar as asinhas e, com as patas, dá leves e breves golpes no próprio abdome. Pois foi isso o que aquele grupo passou a fazer, o que resultou na formação de círculos de machos que se cortejavam mutuamente. Alterada a temperatura, todos voltaram a comportar-se como anteriormente, como machos. Falando sobre o assunto ao jornal italiano La Repubblica, o psiquiatra Paolo Rigliano, autor do livro Amor sem Escândalo, em que analisa comportamentos de gays e lésbicas, declarou que é preciso muito cuidado antes de tentar transportar a experiência para machos do gênero humano. Entre nós, homens e mulheres, a orientação sexual é fruto de elaboração psíquica, não tendo sido detectado, até o momento, qualquer gene da homossexualidade. O que vem tranqüilizar todos os machos que, ao iniciar esta leitura, podem ter ficado preocupados com a possibilidade de serem submetidos a uma semelhante experiência.

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