Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Equipes têm dificuldade de resgatar corpos de vítimas de acidente

Queda de avião em Santos matou o candidato Eduardo Campos. Além dele, outros 6 ocupantes da aeronave morreram

Bruno Ribeiro, Zuleide de Barros e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 15h35

Atualizada às 18h38

SANTOS - As equipes de resgate enfrentam dificuldades na localização dos corpos dos sete ocupantes do avião Cessna que caiu na manhã desta quarta-feira, 13, em Santos, incluindo o do candidato pelo PSB à presidência da República, Eduardo Campos. Os trabalhos de resgate começaram no início da tarde desta quarta-feira, 13. O avião caiu sobre oito residências no bairro do Boqueirão, em Santos. Todos os ocupantes da aeronave morreram e sete pessoas que moravam nas casas atingidas ficaram feridas, mas sem gravidade. Elas foram atendidas no Pronto-Socorro Central de Santos e, antes do final da tarde, já haviam sido liberadas. 

O avião Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, havia decolado às 9h21 do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Guarujá, onde o presidenciável participaria de um fórum internacional para falar sobre os problemas portuários brasileiros.O acidente ocorreu por volta das 10 horas, quando o avião se preparava para aterrissar na Base Aérea de Santos, já no Guarujá, e acabou arremetendo, por causa do mau tempo. Neste momento, o controle de tráfego aéreo perdeu o contato com o jato. A queda assustou todo o bairro, com a estrondosa explosão. 

Especialistas da Aeronáutica chegaram antes do meio-dia a Santos para iniciar as investigações sobre a possível causa do acidente. Agentes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informaram que a área de perícia do local do acidente se estende por um diâmetro de um quilômetro. Policias federais dão apoio aos peritos. A perícia ocorre em conjunto com o trabalho dos bombeiros, segundo um agente do Cenipa. A garoa forte não deu trégua durante a tarde no bairro do Boqueirão, em Santos, onde a tragédia ocorreu. 

Os restos mortais das vitimas estão destroçados e espalhados pela área da colisão. O Corpo de Bombeiros cogitava, no inicio da tarde, usar cães farejadores nos trabalhos, mas os animais ainda não foram vistos no local onde os trabalhos estão ocorrendo.

"Não é igual ao acidente da Tam, em que havia corpos carbonizados perto do avião. Nesse acidente não dá para achar nem asas do avião. Não dá pra saber onde estão os corpos. A gente não está achando os pedaços. Está muito difícil. Só achamos a turbina porque ela caiu na sala de uma casa. É um trabalho complicadíssimo", disse o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros.

Peritos do Cenipa retiraram partes do avião que transportava o candidato e foram encontradas em uma das casas atingidas. São dois pedaços da aeronave contorcidos. Um deles se assemelhava a uma turbina. Os objetos foram colocados em uma picape da Aeronáutica.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, os trabalhos devem prosseguir no decorrer da noite e os moradores que tiveram suas casas interditadas não deverão retornar às suas residências para que o trabalho de perícia não seja prejudicado.

Susto. Ao longo da tarde, alguns vizinhos dos prédios atingidos ainda se mostravam assustados com os acontecimentos da manhã. O empresário Fabrício Rodrigues, que mora próximo do local onde aconteceu o acidente, contou que, antes de o avião cair, avistou uma bola de fogo próxima das casas e, logo depois, ouviu o estrondo, já na queda sobre as casas.

A cozinheira Roseli Andréia de Lima, que trabalha em uma escola de educação infantil na rua Alexandre Herculano, ainda estava trêmula ao falar sobre o acidente. "Quando ouvi o barulho, achei que se tratava da explosão de um botijão de gás e, jamais da queda de um avião", afirmou. Roseli disse que teve de tomar calmante para se controlar. Logo após a tragédia, as funcionárias da escola onde ela trabalha, trataram de avisar os pais das crianças sobre a ocorrência e que fossem buscar seus filhos, porque ainda havia o risco de eventuais explosões.

Pessoas que moram na região e que saíram de casa cedo para o trabalho, queriam notícias sobre a ocorrência, tendo em vista que as redes sociais mostravam imagens do acidente e as emissoras de rádio começavam a dar informações sobre a queda do avião, fato raro na região, uma vez que a Base Aérea de Santos, localizada em Guarujá, fica a alguns quilômetros de distância do local. 

Informações preliminares dão conta que provavelmente o mau tempo e a forte névoa tenham contribuído para a tragédia, uma vez que a aeronave arremeteu, caindo momentos depois no bairro do Boqueirão.

O comandante geral do Corpo de Bombeiros, capitão Armani, acredita que a queda do jato particular sobre um imóvel desocupado, um terreno de aproximadamente 200 metros quadrados, não ocorreu por acaso. Para o capitão, algo deve ter ocorrido para o piloto ter evitado a colisão com outros imóveis. Em frente à área atingida, na Rua Alexandre Herculano, existem pelo menos dois prédios de 12 andares. O capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros, também acredita nessa hipótese, levando em conta que, apesar de todos os destroços, houve poucas vítimas em terra. Sete pessoas ficaram levemente feridas, mas sem gravidade. 

Inquérito. O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, esteve em Santos para acompanhar todo o trabalho da perícia. Ele anunciou que os corpos das sete vítimas que ocupavam o avião serão encaminhados ao Instituto Médico Legal de São Paulo, pois acredita na necessidade da realização de DNA para identificar os mortos. Grella também informou que será aberto um inquérito para apurar as responsabilidades do acidente, a partir dos levantamentos a serem concluídos pela Aeronáutica. 

Também na tarde desta quarta-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi a Santos, onde esteve reunido na prefeitura com o prefeito Paulo Barbosa. "O Brasil perdeu uma liderança jovem e promissora e eu perdi um grande amigo", disse. Alckmin cancelou ontem toda a sua agenda de campanha para vir a cidade.  

Visivelmente abalada, a candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos, Marina Silva, falou sobre a perda do companheiro, negando-se a fazer qualquer comentário sobre o futuro da campanha. "Neste momento, só quero me colocar ao lado da família do Eduardo e dos seis companheiros que viajavam no avião, pelas terríveis perdas que tiveram", afirmou.

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