Equipes paralisam trabalhos em navio naufragado na Itália

Equipes de resgate que estão preparando para bombear milhares de toneladas de combustível e óleo diesel do navio de cruzeiro naufragado Costa Concordia na costa italiana suspenderam os trabalhos neste sábado devido ao mau tempo, que pode durar até a próxima semana, disseram autoridades.

EMILIO PARODI, REUTERS

28 de janeiro de 2012 | 14h20

Com o mar agitado e fortes ventos devendo continuar, os trabalhos de remoção de mais de 2,3 mil toneladas de diesel pode atrasar dias, de acordo com a porta-voz da Smit, companhia holandesa que está administrando a operação.

"O início das operações depende das condições climáticas", disse Martijn Schuttevaer à jornalistas. "A estimativa é de que o clima ruim dure até terça-feira e nós não esperamos ser capazes de recomeçar as atividades até o meio da semana."

Uma barcaça transportando equipamento de bombeamento, que foi anexada ao navio naufragado, foi retirada depois que ventos fortes e ondas altas pioraram as condições para os mergulhadores que estão trabalhando nos destroços.

Apesar da interrupção, a busca continua por corpos na embarcação semi-submersa na costa da Toscana.

Mergulhadores encontraram o corpo de uma mulher neste sábado, elevando o número de mortos conhecidos para 17. As autoridades também disseram terem identificado o corpo de uma mulher alemã recuperado na semana passada.

Dois dos corpos encontrados depois do naufrágio não foram identificados e 15 pessoas ainda estão desaparecidas.

Sem esperanças de encontrarem sobreviventes, o foco mudou para prevenir um desastre ambiental em Giglio, popular ilha de férias em uma reserva natural marinha.

Antes dos trabalhos serem suspensos, as equipes estavam instalando válvulas para ajudar no bombeamento de seis tanques de combustível em direção à frente do navio, que detém a maior parte do diesel. A operação de bombeamento é esperada para levar de três semanas a um mês.

O Concordia, um resort flutuante de 290 metros, com mais de 4,2 mil passageiros e equipe, afundou há mais de duas semanas após bater em uma pedra perto da costa, que fez um corte longo em seu casco.

O acidente, que deve provocar a reivindicação de seguro marítimo mais cara já vista, desencadeou uma batalha jurídica na qual advogados norte-americanos e italianos estão preparando ações coletivas e individuais contra o operador, a Costa Cruzeiros.

Em uma tentativa de limitar as consequências, a Costa, unidade da Carnival Corp, maior operadora do mundo de navios de cruzeiro, ofereceu aos mais de 3 mil passageiros 14,5 mil dólares cada como compensação, na condição de abandonarem qualquer ação legal.

O capitão do Concórdia, Francesco Schettino, está sob prisão domiciliar, suspeito de causar o acidente por dirigir muito perto da costa, e enfrenta acusações de homicídio múltiplo e de abandonar o navio antes da evacuação terminar.

O primeiro oficial do navio, Ciro Ambrosio, também tem sido questionado pelo Ministério Público, mas a empresa em si não tem sido envolvida na investigação nesta fase.

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