Equipe econômica teme que crise no Senado prejudique votação da CPMF

Avaliação é de que eventual cassação de Renan pode criar clima de desconfiança entre partidos da base

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2008 | 00h00

Partem da equipe econômica os sinais de maior apreensão pelo futuro político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), às vésperas do julgamento do parecer do Conselho de Ética que recomenda sua cassação. Integrantes do eixo Fazenda-Planejamento defendem a permanência de Renan no cargo.Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esses assessores defendem a tese de que o melhor cenário para aprovar a proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é com Renan sentado na cadeira de presidente do Congresso.Um senador do PT com trânsito no gabinete presidencial explica que a preocupação não é de caráter pessoal, com o destino de Renan. Segundo ele, o temor do governo é de que a eventual cassação do presidente do Senado crie um clima de desconfiança entre os partidos da base e tumultue ainda mais o ambiente político.Economistas do governo avaliam que a permanência de Renan no cargo é o caminho mais cômodo para aprovar a CPMF porque não cria instabilidade no PMDB, que é o maior partido governista no Senado, nem na base aliada. A eventual renúncia ao cargo (especula-se que para assegurar sua absolvição ele abriria mão do comando do Senado na seqüência do julgamento)também não é bem vista. Não interessa ao Planalto abrir disputa no PMDB pela cadeira de presidente do Senado, porque negociar a CPMF em meio à sucessão no Congresso dificultaria ainda mais a vida do governo. Para ser prorrogada até 2011, como deseja o governo, a CPMF precisa ser aprovada em dois turnos por três quintos de cada Casa. Um ministro que acompanha cada lance do processo contra o presidente do Senado diz que o mais confortável para o governo é continuar com ele. Mas observou que, em caso de cassação, a negociação prosseguirá normalmente com o sucessor. No pragmatismo da relação entre o Planalto e o Congresso, esse ministro acredita também que, seja ou não inocentado pelo Senado, Renan não tem nenhuma "conta" a cobrar do governo - pois não poderá se queixar de falta de apoio.A avaliação predominante no Planalto e na equipe econômica é de que, em qualquer circunstância, será muito difícil arrancar do Congresso a prorrogação da CPMF sem uma contrapartida para Estados e Municípios.O ministro acrescenta que, em todas as reuniões políticas e de governo em que se falou do caso Renan, o presidente foi solidário com ele. Lembra que Lula fez até manifestações públicas em sua defesa e considera que, se for absolvido pelo plenário, Renan terá de reconhecer isso.Mais do que ter um presidente do Senado grato ao governo, contudo, o que pode ser útil ao Planalto é um chefe de Poder aliado e enfraquecido. Até a equipe econômica avalia que Renan não terá a mesma força política que teve antes do escândalo, se escapar do processo. E considera que isso será melhor para o governo.CÂMARAO exame da prorrogação da CPMF está atrasado na Câmara, onde a pauta de votações continua trancada por medidas provisórias há duas semanas. Mesmo assim, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), acredita que os deputados concluirão o exame da prorrogação da CPMF nos próximos 20 dias. Ontem, ele admitiu dificuldades. "Está havendo obstrução e eu imagino que seja por pressão da CPMF", disse, referindo-se à ofensiva da oposição para derrubar a prorrogação da contribuição. Chinaglia, contudo, considera "natural" haver pressão em votações de temas polêmicos.

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