Equipamentos da Abin não fazem grampos, revela laudo da PF

Relatório foi enviado pelo ministro Jorge Félix; segundo Gabinete de Segurança Institucional, laudo é conclusivo

Andréia Sadi, do estadao.com.br

18 de setembro de 2008 | 14h00

Um laudo da Polícia Federal enviado ao Congresso nesta quinta-feira, 18, pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência concluiu que os equipamentos adquiridos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não podem realizar grampos. Segundo a assessoria do Gabinete, o documento é detalhista e foi encaminhado ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência e ao deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI dos Grampos.   Veja Também: Grampos: Entenda a crise Ouça trecho do depoimento de Jobim na CPI  Blog: acompanhe os principais momentos do depoimento  Depoimento de Jobim à CPI reforça disputa com general Félix   "O laudo é conclusivo e foi enviado após o depoimento do general Jorge Félix nas comissões. A análise aborda todos os tipos de equipamentos (as chamadas "maletas de varreduras") e é bem detalhista. Pode-se dizer que o laudo aponta que nenhum (equipamento) pode fazer gravação", disse a assessoria do órgão ao estadao.com.br.   A perícia apontou ainda que a Abin não poderia interceptar a conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO),  pois o único tipo de equipamento que possui para fazer escutas só serve para linhas telefônicas fixas analógicas. A conversa que gerou a crise de espionagem foi feita entre a linha digital do Senado e o celular do presidente do STF.   A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e reiterada na última quarta-feira, em depoimento à CPI dos Grampos. "O prospecto diz que faz interceptação. Agora não sei se a Abin comprou o equipamento com todas as especificações", disse o ministro, sobre o Stealth LPX Global Intelligence Surveillance System, um interceptador digital "passivo e ativo" dos sistemas CDMA e GSM. Segundo um documento apresentado por ele, a instituição teria equipamentos para fazer interceptações telefônicas. Em seguida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou toda a cúpula da Abin para investigações, inclusive o diretor-geral, Paulo Lacerda. Félix e os diretores afastados da Abin negam que a agência tenha tal capacidade.   Repercussão   A informação repercutiu no Congresso. Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), a notícia coloca o ministro da Defesa em uma situação delicada. Mostra também que havia mais suspeitas sobre a cúpula da Abin ou que o afastamento da direção da instituição foi precipitado. "O laudo exclui a possibilidade de a Abin ter realizado essa escuta", afirmou à Reuters o parlamentar. Segundo o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), no entanto, a Abin poderia ter contratado arapongas para fazer o serviço, pois não detalha todos os gastos que faz. Perguntado se a inocência da Abin estava provada, Jungmann negou: "Eu diria que, de forma definitiva e conclusiva, não."   (Com Reuters)

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