Equilíbrio entre Poderes é bom para o País, diz Lula

Cerca de quatro horas após os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovarem medida liminar contra o reajuste de 90,7% nos salários de deputados e senadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem se referir diretamente ao assunto, afirmou, em discurso no Palácio do Planalto, que o equilíbrio entre os Três Poderes faz parte da democracia: "Num dia, os juízes vão perder; no outro, os ministros vão perder; no outro, é o governo quem perde; no outro, a Câmara; e, no outro, o Senado." Sempre sem mencionar explicitamente a sessão desta terça do Supremo Tribunal, Lula acrescentou: "No frigir dos ovos, quem ganha é o Brasil, com a consolidação de regras para a democracia. Às vezes, alguns chamam os atos democráticos de ´atos de assembleísmo´, mas, na verdade, não tem nada melhor no mundo que o regime democrático. As pessoas são ouvidas, as coisas são discutidas, as instâncias têm as suas funções, cada uma respeita a outra." As declarações foram feitas na cerimônia em que o presidente sancionou a lei que criou a súmula vinculante, mecanismo pelo qual todos os tribunais do País têm que seguir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, informou que o presidente está preocupado com a repercussão negativa do reajuste dos salários de deputados e senadores e conversou sobre o assunto por telefone, nesta manhã, com o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Segundo Tarso, Lula se colocou à disposição "para aquilo que o Poder Legislativo achasse necessário." "É claro que o presidente está preocupado com o assunto (repercussão negativa do reajuste), pois o assunto é de larga repercussão nacional, e a preocupação do governo é de que o prestígio do Poder Legislativo não seja abalado", disse o ministro. E concluiu: "O presidente se coloca à disposição para verificar se tem alguma coisa que possa ser feita em termos de negociação e reavaliação." As declarações de Tarso foram feitas depois da cerimônia em que o presidente sancionou a lei que cria a súmula vinculante.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.