Marcio Fernandes/AE
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Equatoriano assume a SIP pela internet

Jaime Mantilla, proprietário do jornal ‘Hoy’ e declarado adversário do presidente Rafael Corrêa, tomou posse por teleconferência

Gabriel Manzano, de O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2012 | 22h52

De forma inédita em 70 anos de existência, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) deu posse na terça-feira, 16, por teleconferência, ao seu novo presidente – o equatoriano Jaime Mantilla, dono do jornal Hoy, do Equador. Em contato direto entre Quito, onde ele vive, e São Paulo, onde a SIP concluía sua 68.ª Assembleia-Geral, o presidente que saía, Milton Coleman, deu-lhe as boas-vindas e fez sua despedida. Em seguida, Mantilla – declarado adversário do presidente Rafael Corrêa e que se viu impedido de viajar para o Brasil – leu o discurso inaugural, ouvido de um telão por um salão lotado de jornalistas e proprietários de meios de comunicação.

Ele tratou logo de explicar sua ausência. Começou dizendo que se preparava "com imenso entusiasmo para estar presente nessa Assembleia-Geral". Depois, sem detalhar nenhum episódio nem mencionar o presidente Corrêa, fez uma crítica de ordem geral: "Lamentavelmente, esse entusiasmo se desmanchou, ao tomar a dura decisão de não acompanhá-los, pelos graves problemas que tanto o jornal que represento como meu país enfrentam, pela arremetida dos ataques governamentais".

Desrespeito. Voltou sua atenção, em seguida, para a situação da imprensa equatoriana: "A imprensa independente do Equador continua acossada por um governo que, enquanto da porta para fora anuncia a irrestrita defesa da liberdade de expressão (...), no Equador desrespeita inteiramente o direito humano de livremente sonhar, expressar-se e compartilhar as diferentes visões da realidade", afirmou.

Mantilla fez em seguida uma espécie de declaração de posse online, ouvida com olhares graves por integrantes da cúpula da SIP espalhados por várias mesas do salão: "Assumo esta presidência em um momento perigoso para as liberdades da nossa América. A tendência de muitos governos de distinta ideologia e grupos de poder para uniformizar o pensamento dos cidadãos livres, eliminar as expressões contrários, atacar os meios independentes, e até eliminar os que denunciam abusos aumentou e tende a generalizar-se".

Mudanças. A segunda parte de sua fala, de 22 minutos, foi dedicada à indicação de diretores das comissões da entidade. Disse que pretende levar adiante um processo "de redefinição de nossas visões, em uma estratégia de compromisso" para fazer da SIP "o organismo ágil, produtivo e guia destes novos tempos".

O novo presidente planeja "desenvolver uma eficaz e agressiva campanha para aumentar os filiados, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos". Para coordenar a tarefa, nomeou o brasileiro Paulo de Tarso Nogueira, do Estado, presidente da Comissão de Novos Membros.

Mantilla terminou a fala citando parte de um ensaio escrito por Albert Camus em 1939 – ano em que Hitler deu início à II Guerra Mundial. "Hoje a questão não é como preservar as liberdades de imprensa. É buscar como, diante da supressão dessas liberdades, o jornalista pode permanecer livre".

Depois de quatro dias e 65 debates e palestras, os delegados de outros países deixaram na terça São Paulo. A próxima Assembleia-Geral será realizada em outubro de 2013 em Denver, Estados Unidos. Antes disso, a SIP promove em abril a sua Reunião de Meio de Ano na Cidade do México.

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