Equador se unirá ao Brasil para expandir biocombustíveis

O presidente do Equador, Rafael Correa, aliou-se aos esforços do governo brasileiro para a expansão da rede de fornecedores mundiais de biocombustíveis. Ao final de sua visita oficial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Correa carregou consigo três acordos de cooperação brasileira ao cultivo de insumos e aos estudos sobre a possível fabricação de biodiesel e etanol no país - além de outros 12 acertos em diferentes áreas. Mesmo com o anúncio de Lula do plano da Petrobras de injeção de US$ 1 bilhão no Equador até 2010, Correa não deixou em Brasília nenhuma garantia de que esses projetos de investimento sairão do papel.Nesta manhã, no Palácio do Planalto, Lula e Correa assistiram à assinatura do memorando de entendimento da Petrobras e da Petroequador, que permitirá a participação conjunta da empresa brasileira, da chilena Enap e da chinesa Sinopec em projetos de desenvolvimento e de produção de petróleo da jazida ITT, a maior do país ainda inexplorada. As três empresas deverão participar de um leilão para a exploração da ITT nos próximos meses. Ao lado de Lula, Correa limitou-se a assinalar que a jazida está localizada em área sensível, próxima a reservas ambientais e indígenas, e que antes de convocar o leilão tentará uma outra via para manter a região totalmente preservada."Podemos deixar o petróleo dentro da terra e receber uma compensação financeira da comunidade internacional, que seria destinada à saúde, à educação e ao combate à pobreza", defendeu. "Ou então, a exploração não poderá trazer impactos. Os investidores terão de levar todo o material de helicóptero, como se fosse uma plataforma no mar", adicionou horas depois, em entrevista à imprensa.´Aliança estatal´Presente no Equador desde 1996, a Petrobras destinou mais de US$ 430 milhões para a exploração de dois blocos e a participação em um oleoduto no país. Ambos os blocos tornaram-se alvos de protestos ambientais e sociais, que paralisaram suas atividades entre os últimos dias 9 e 30 de março. No início de fevereiro, Correa havia proposto uma "aliança estatal" nas áreas de refino e de exploração de petróleo para a Petrobras e as demais companhias do setor.Na última quarta-feira, o presidente equatoriano ressaltou que "100% das reservas" de petróleo, de gás e de minérios são nacionais e que as companhias que atuam no setor são apenas concessionárias. Também admitiu que o Equador deverá retornar à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como meio de obter crédito do Banco do Oriente Médio. Entretanto, demonstrou claro interesse no acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre o desenvolvimento de biocombustíveis, mesmo ciente dos ataques a esse projeto desferidos por Chávez e pelo presidente de Cuba, Fidel Castro."Etanol é uma grande oportunidade. O Equador deve se preparar para uma economia não-petroleira e para o desenvolvimento os biocombustíveis que, além de tudo, reativa a agricultura e gera trabalho no campo. Não podemos continuar dependente do petróleo", declarou. Banco do SulLula destacou também a participação do Equador no processo de integração sulamericana e aproveitou para defender a "integração financeira mais ágil e menos custosa, especialmente as obras de infra-estrutura. Chegou até mesmo a pedir maior cooperação entre os órgãos financeiros já existentes na região. Nesse tópico, porém, em vez de receber o apoio de Correa, Lula ouviu de seu convidado a opção pela alternativa propagada por Hugo Chávez, presidente da Venezuela: a criação do Banco do Sul.De forma paternal, Lula desejou "toda a sorte do mundo" para o projeto de Correa de realizar a sua revolução cidadã, no Equador. "O meu governo e o Brasil serão parceiros do seu governo e do Equador para construir o que não pôde ser construído em 40 anos, afirmou Lula, que deu um conselho ao colega equatoriano: "Trabalhe. Porque se há uma coisa que compensa no final do nosso governo é saber que os mais pobres foram beneficiados. Boa sorte, que Deus te ajude nessa empreitada", finalizou.

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