Equador para 1,5 bilhão de espectadores do Miss Universo

O concurso de Miss Universo, assistido por milhões ao redor do mundo, pode trazer fama e fortuna para sua vencedora. Um pequeno país andino, o Equador, obscurecido pela imagem de instabilidade política nos últimos anos, está esperando o mesmo para si, ao hospedar os desfiles.Mas crescentes exigências para que o presidente Lucio Gutierrez acabe com o escândalo de corrupção ameaçam abafar os esforços do Equador de usar o evento para atrair turistas que, de outra maneira, jamais o visitariam.Na década passada, dois presidentes foram expulsos do gabinete e um terceiro ficou enfraquecido quando seu poderoso vice fugiu para o exílio, acusado de corrupção. Nenhum presidente eleito terminou seu mandato desde Sixto Durán-Ballen, em 1996.Tentando deixar para trás o passado, o Equador gastou milhões de dólares esmerando-se na apresentação do concurso, no qual os jurados deverão escolher a mais bela entre concorrentes de 80 países. A vencedora substituíra Amelia Veja, a dominicana de 19 anos que está, agora, gravando seu primeiro álbum como cantora.As duas horas finais do desfile de amanhã dedicarão 10 minutos a exaltar as atrações turísticas equatorianas. Os organizadores dizem que a transmissão deste ano deve ter 1,5 bilhão de telespectadores em 180 países.?Miss Universo é uma grande oportunidade para o país mostrar nossa força?, diz a ministra do Turismo, Gladys Eljuri, enfileirando alguns deles: terra de 15 tribos indígenas, o Equador tem também a maior quantidade de pássaros por quilômetro quadrado e os mais alto vulcão ativo - a montanha de Cotopaxi, nos Andes - do mundo.?O Equador, que tem sido mantido como um segredo muito bem escondido, será revelado ao mundo?, afirma Eljuri.Mas se os oponentes de Gutierres conseguirem forçá-lo a renunciar, ou se for destituído pelo Congresso de forma inconstitucional, os esforços por uma renovação da imagem serão inúteis.Gutierrez, um coronel do exército, ascendeu ao mais alto posto político do país em janeiro de 2000, depois de liderar uma rebelião de jovens militares e 5.000 indígenas descontentes com o impopular presidente Jamil Mahuad. Equatorianos irados acusavam Mahuad de ajudar banqueiros corruptos, durante o pior colapso econômico do Equador em meio século.Gutierrez passou, em decorrência, quatro meses numa prisão militar. Mas, em novembro de 2002, venceu as eleições como um lutador contra a corrupção profundamente incrustada nas instituições que marcou os governo anteriores. Embora tenha ganho com o apoio o partido de esquerda e do poderoso movimento indígena do Equador, alinhou-se rapidamente com os Estados Unidos.Os simpatizantes de Gutierrez, de 47 anos, que se auto-denomina ?o mais leal aliado dos Estados Unidos? na América Latina, reduziram-se a 16% segundo recentes pesquisas de opinião pública. O lojista de Quito Jorge Vallejo, de 57 anos, resume uma opinião comum sobre Gutierrez: ?As pessoas votaram nele porque foram convencidas por partidos políticos tradicionais. Mas ele tornou-se um dos piores presidentes de nosso história. Ele é um mentiroso e passa o tempo ajudando parentes e amigos a obter empregos no governo.?Os problemas de Gutierrez aprofundaram-se na semana passada, quando ele demitiu seu ministro da Previdência Social, Patricio Acosta, em meio à gritaria pública, depois que Washington colocou Acosta numa lista de funcionários públicos suspeitos de corrupção e suspendeu seu visto.Os equatorianos rapidamente interpretaram a medida contra Acosta, o amigo mais íntimo de Gutierrez, como um sinal de que Washington estava se distanciando do presidente.?Estourou como uma bomba, porque ninguém acreditaria que Acosta estivesse roubando sem a permissão de Gutierrez?, diz Benjamim Ortiz, um ex-ministro do Exterior e jornalista que atualmente dirige um instituto de pesquisa em Quito.Os oponentes passaram a exigir sua renúncia, ameaçando-o de impeachment se necessários. Gutierrez recusou-se a renunciar, dizendo que isto seria violar a constituição porque não há razão para sua remoção.Adrian Bonilla, sociólogo e também diretor de instituto de pesquisa, diz que os congressistas não hesitariam em violar a constituição, revelando um lado do Equador que a maioria dos telespectadores do Miss Universo não iriam gostar.?Esta não é uma sociedade democrática?, diz Bonilla. ?É uma sociedade autoritária, hierárquica e profundamente racista e isto se reflete em suas instituições.?Continua tensa situação no presídio de Benfica, no Rio Rio - A situação continua tensa em torno da Casa de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio, onde uma rebelião de presos iniciada no sábado (29) já dura mais de 50 horas. Toda a área permanece cercada por policiais militares e há grande presença de familiares dos presos na praça em frente ao presídio.Alguns dos presos amotinados podem ser vistos nas janelas e, segundo a Agência Brasil, há pouco exibiram dois cartazes, um deles com os dizeres "toda cela que estiver desta forma poderá haver problemas", numa referência à mistura de presos de diversas facções num mesmo local. O outro cartaz diz: "A próxima vai ser em Bangu. Tira os alemão da cadeia. Água e óleo não se mistura".Também há pouco mães e mulheres de presos fizeram uma manifestação na Rua Couto de Magalhães, próximo à Casa deCustódia. As mulheres se ajoelharam no meio da rua, tentando impedir o tráfego de veículos. A polícia dispersou asmanifestantes. Segundo elas , o objetivo da manifestação era reivindicar a presença de um pastor conhecido como Marcos nanegociação com os amotinados.Saúde amplia atendimento a quem quer parar de fumar Brasília 31 - O Ministro da Saúde, Humberto Costa, assinou portaria hoje que amplia o atendimento ao dependente de cigarros pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, atualmente, é oferecido por apenas seis c entros especializados, onde o paciente recebe orientação psico-terápica e de grupo, além de medicação para a crise de abstinência (quadro que o dependente enfrenta ao parar de fumar). Com recursos estimados em R$ 5,6 milhões para 2004, o Ministério se prepara para abastecer a rede de saúde com adesivos de pele e gomas de mascar, usados pelo fumante para controlar os níveis de nicotina no sangue.Humberto Costa participou do II Fórum Mundial "Tabaco e Pobreza: um Círculo Vicioso", comemorando o sucesso da política nacional de combate ao tabagismo que, segundo o ministro, foi responsável, em dezembro do ano passado, pelo aumento de 20% da alíquota do IPI ? Imposto sobre Produtos Industrializados ? cobrado da industria do cigarro. "É possível que nós possamos tornar o preço menos acessível à população e, assim, reduzir o número de pessoas que possam adquirir o produto", comentou. Segundo ele, o governo pretende aprofundar a questão do controle sobre a comercialização do cigarro, instituindo-se uma nova alíquota sem que o aumento do preço do produto facilite o contrabando e o comércio ilegal. Foi, também, iniciativa do governo a lei que obriga todos os eventos esportivos, culturais e de moda, que tenham patrocínio de cigarros, a fazerem publicidade anti-tabagista durante sua veiculação.Humberto Costa defende uma articulação entre Ministério Público, polícia e prefeituras para coibir a venda de cigarros a menores de 18 anos, proibida por lei e descumprida, quase sempre, por bares, boates e restaurantes freqüentados pelos jovens. Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam uma redução de 50% napopulação brasileira de fumantes, comparada às pesquisas realizadas nos últimos 20 anos. Para o diretor do INCA, José Gomes Temporão, esse resultado se deve ao conjunto de políticas do governo de restrição à propaganda de cigarros e ao aumento da disseminação de informação. "Entre os estudantes, essa política tem que ser permanentemente reforçada. Nós temos que garantir tratamento aos dependentes e, ao mesmo tempo, impedir que as crianças e os jovens se iniciem no vício", afirmou, acrescentando que o tratamento na rede pública de saúde estará disponível a todas as pessoas, indiscriminadamente, às que fumam e àquelas que desejam parar de fumar.

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