Equador, Colômbia e Venezuela entram no Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o anfitrião hoje da festa de dez anos do Mercosul, a ser realizada em Ouro Preto, no mesmo dia e local da reunião que marcou a criação do bloco. Na festa, será feito o anúncio da entrada de três novos integrantes do mercado - Equador, Colômbia e Venezuela , embora apenas o presidente venezuelano, Hugo Chávez, vá estar presente. Apesar dos problemas do Brasil com a Argentina e da ausência dos presidentes de dois novos sócios, o presidente Lula, em seu discurso, pretende exorcizar o fantasma da crise, mostrando que há inúmeros países querendo negociar com o bloco, e destacar que a integração está começando a acontecer. Além de exaltar a importância do bloco, Lula acredita que o grupo sul-americano poderá se tornar um embrião do que hoje é a União Européia. Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, atribuiu as dificuldades a "problemas naturais do crescimento do bloco". Lula chegou a Belo Horizonte no início da tarde de ontem com duas reuniões bilaterais marcadas - Venezuela e Bolívia. Mas o encontro de chefes de Estado, que estava previsto para acontecer no final do dia, acabou sendo cancelado, por causa dos horários de chegada dos demais presidentes a Belo Horizonte.O presidente passou o dia na suíte presidencial do 25º andar do Hotel Ouro Minas, onde está hospedado. Primeiro Lula se reuniu com Chávez, por quase três horas, e depois com Carlos Mesa. Ele ainda estava com Chávez quando foi informado da morte de seu irmão, João Inácio. À noite estava prevista a participação de Lula em um jantar de confraternização com os demais presidentes.Nove presidentes, incluindo Lula, deverão estar hoje em Ouro Preto, além de representantes de mais cinco países. Mas a grande expectativa era a chegada do presidente da Argentina, Nestor Kirchner, e do que ele poderia dizer ou trazer para a reunião, por causa dos problemas enfrentados pelos dois países nos últimos meses, com a tentativa de a Argentina instituir quotas para a importação de produtos brasileiros. Há um temor, no entanto, entre representes da delegação brasileira, de que a festa possa ser estragada pelo que o presidente da Argentina poderá falar ou apresentar de proposta na reunião. Na reunião de hoje será anunciada ainda a instalação do Parlamento do Mercosul, que está previsto para ocorrer até 2006, conforme informou o ministro Celso Amorim. Indagado se haveria recursos para a instalação do parlamento e de onde eles viriam, o ministro respondeu: "Democracia custa caro. Ditadura é mais barato, mas eu prefiro a democracia." Hoje também deverá ser criado um fundo de convergência estrutural com objetivo de ajudar economias menores do Mercosul a se desenvolver, como é o caso do Paraguai e do Uruguai.Antes de se reunir com Lula, o presidente Chávez, procurou minimizar as disputas que estão ocorrendo entre Brasil e Argentina. Segundo ele, a política de integração vai superar qualquer dificuldade. "Dificuldades que sempre existem entre os países", disse. Diante da insistência dos repórteres sobre as disputas econômicas entre os dois países, ele se esquivou dizendo que não podia se "meter nisso". "É coisa entre Argentina e Brasil. Mas estou seguro que a união e a solidariedade vão vencer", disse.Chávez pregou também a realização de um projeto de integração "petroamérica", que seria uma espécie de integração energética. Depois de dizer que estava "estudando os pedidos do Rio de Janeiro e Pernambuco" para instalar refinarias nesses Estados, o presidente venezuelano salientou que é preciso integrar os países da região nestes setores: exploração de petróleo, de gás, de carvão, hidrelétricas, energia eólica e até nuclear.

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