Epidemia de dengue pode se alastrar, admite Serra

O ministro da Saúde e pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, admitiu nesta terça-feira a possibilidade de a epidemia de dengue registrada no Rio de Janeiro se alastrar pelo País. "Existe o risco de chegar a outras regiões no País, evidentemente", disse o ministro na sede do Programa Comunidade Solidária.São Paulo é uma das áreas que preocupa o governo federal, não pelo número de casos, mas pelo potencial de transmissão. "A população é muito grande", disse o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Mauro Ricardo Costa.A epidemia no Rio levou o governo a acelerar a criação da Agência Federal de Prevenção e Controle de Doenças, em substituição à Funasa, por medida provisória, que pode ser assinada nas próximas horas. Essa agência terá liberdade para contratar especialistas e poderá decretar até quarentena federal para isolar pacientes e localidades em caso de emergência epidemiológica, quando houver contaminação por um agente letal e transmissível.Mas ao contrário do Rio de Janeiro, em São Paulo as temperaturas são mais baixas, o que não facilita a proliferação de mosquitos. Outros Estados que preocupam são o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul e Pernambuco. O governo federal traçou um plano de guerra contra o mosquito aedes aegypti, no Rio de Janeiro, que inclui as prefeituras, o Exército e a Marinha. O presidente da Funasa garante que não se trata de uma intervenção do governo federal no Estado, pois será uma parceria.O ministro Serra apresentou hoje ao secretário municipal do Rio de Janeiro, Ronaldo Cézar Coelho, a proposta de ajuda do governo federal. A Funasa irá bancar a contratação, pelas prefeituras, de duas mil pessoas para o combater aos criadouros do mosquito transmissor da dengue, aplicando inseticidas e identificando larvas.O secretário tem autorização para efetivar imediatamente mil pessoas, zerando o banco de concursados na área de endemias. Além dessa mão-de-obra, 1.500 recrutas do Exército e da Marinha serão treinados para trabalhar como mata-mosquitos. Dois hospitais federais serão referência para internação no Estado, o do Servidor e o de Bonsucesso. Na sexta-feira, equipe do Ministério da Saúde desembarcará no Rio para identificar os leitos necessários para atender os atuais doentes ou uma projeção de contaminados. Neste primeiro momento, o governo desiste de contratar hospitais privados para atender os doentes e pagar a conta do tratamento. "Se houver necessidade adicional, o ministério não economizará para atender a população", garantiu Costa.O governo federal concluiu que os atuais hospitais públicos e os conveniados ao Sistema Único de Saúde são suficientes para fazer o atendimento. Mas eles terão de reforçar a parte ambulatorial. Médicos também serão treinados para não errar no diagnóstico, principalmente porque a epidemia deste ano está sendo marcada pela ingresso de um novo tipo, a dengue 3 que aumenta a possibilidade de o paciente desenvolver a dengue hemorrágica, a forma mais letal. Dores abdominais e tontura são sintomas de alerta.O dia 9 de março foi escolhido o dia D para o combate ao mosquito. A campanha inclui remoção de entulhos, fumacê nas ruas e destruição de focos domésticos do mosquito. "Há mais de 20 anos não se reduz a infestação de mosquitos no Brasil", disse o secretário.

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