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Epidemia de dengue não acabou, dizem especialistas

As previsões feitas pelo ministro da Saúde, Barjas Negri, e pelo presidente da Fundação Nacional de Saúde, Mauro Ricardo Costa, sobre os rumos da epidemia de dengue no Rio são contestadas por especialistas em saúde pública. Os dois afirmaram que o número de casos no Estado deve sofrer uma redução significativa nos próximos 30 dias. E essa diminuição, dizem, seria fruto das ações de emergência para contenção da dengue adotadas nos últimos dias."É uma conclusão precipitada", afirma o superintendente de Controle de Endemias de São Paulo (Sucen), Luiz Jacintho da Silva. Ele diz não ter dúvidas de que, dentro de algum tempo, haverá uma redução das contaminações. "Mas não há como saber se essa diminuição será resultado das medidas de emergência ou da evolução natural da epidemia."O professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Boulos tem avaliação semelhante. "Claro que essas medidas têm impacto positivo. Mas seria pretensão afirmar que o número de casos já está diminuindo por causa do reforço no combate adotado agora."Ele lembra que a epidemia depende de uma série de variáveis: temperatura, chuvas e até o número de contaminados. "Uma parcela significativa das pessoas já teve a doença. Estão imunes. Com isso, reduz-se o número de suscetíveis a novas contaminações."Jacintho da Silva lembra que, tradicionalmente, as medidas para contenção da epidemia são eficazes quando ela ainda não saiu de controle. Com explosão do número de casos, essas medidas servem mais para tranqüilizar a população.O professor de doenças transmissíveis da USP Eduardo Massad acredita que só no fim da epidemia será possível analisar o impacto das medidas de emergência. "Para isso, é preciso avaliar os números deste ano e dos anteriores."Especialistas ressaltam que mutirões e ações de emergência têm grande valor educativo. "A população mobilizada e agentes treinados serão importantes para evitar futuras epidemias", afirma Massad.O número de casos de dengue no Estado de São Paulo registrou um aumento de 40% em relação ao da semana anterior. Foram confirmados 3.985 casos, 3 deles hemorrágicos. O número de cidades com transmissão também aumentou. Passou de 76 para 89.As regiões que preocupam a Sucen são Osasco e Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde casos autóctones foram registrados. Uma operação especial para conter a doença nesses locais está sendo organizada.

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