Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Enxugamos gelo no TJ-SP, diz novo presidente

Em entrevista à 'ESTADÃO ESPN', desembargador Ivan Sartori afirma que tribunal tem cerca de 500 cargos vagos e defende direitos trabalhistas para garantir autonomia dos magistrados

Agência Estado e estadão.com.br

30 de janeiro de 2012 | 10h50

Atualizado às 12h20O novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Ivan Sartori, defendeu a manutenção de garantias trabalhistas ao Judiciário e afirmou que os juízes desempenham "trabalho árduo". "Nós enxugando gelo", disse em entrevista ao programa Café da Manhã, da rádio Estadão/ESPN, na manhã desta segunda-feira, 30.

Na semana passada, o Estado revelou que a folha de pagamento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tem salários de até R$ 150 mil. O teto de R$ 24.117,62 é hipertrofiado por “vantagens eventuais”. O desembargador Ivan Sartori evitou comentar os números cariocas e disse que em São Paulo os ganhos "são normais". Sartori lembrou, no entanto, que o tribunal paulista tem cerca de 500 cargos vagos e os juízes têm carga elevada de trabalho. "O trabalho é árduo. Nós enxugando gelo lá. Essa é a grande verdade. O juiz não se desliga do processo."

O desembargador atacou a tentativa de "banalizar a magistratura e o Judiciário" e defendeu a manutenção de garantias trabalhistas, como o cargo vitalício e restrição a mudança de posto. "[Sem essas garantias] o juiz vai ficar a serviço da política, a serviço dos poderosos", afirmou.

Durante a entrevista, Sartori concordou que o Judiciário perdeu parte de sua credibilidade junto à opinião pública em razão da morosidade, mas saiu em defesa da honestidade dos servidores. Para ele, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, exagerou nas declarações que deu à imprensa no ano passado, quando afirmou que a magistratura brasileira enfrentava "gravíssimos problemas de infiltração de bandidos, escondidos atrás da toga". Sartori lembrou que, na ocasião, a própria ministra fez a ressalva de que a quase totalidade dos 16 mil juízes do País é honesta e de que os "bandidos são minoria". "Mas, creiam, que a Justiça tem um número maior de bons elementos", ressaltou.

Dívida. Entre as metas de gestão de Sartori no comando do TJ-SP está o pagamento da dívida com servidores e magistrados, estimada em R$ 3 bilhões, quase metade do orçamento anual do tribunal. "Se tivesse recurso, minha vontade era pagar todo mundo." O desembargador reafirmou que vai recorrer ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para solucionar a questão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.