Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Envolvimento de Costa em corrupção foi 'decepção', diz ex-gerente da Petrobrás

Embora tenha sido indicado para a função por Costa, o hoje funcionário aposentado disse que não tinha relação pessoal com o ex-diretor e que nunca ouviu falar sobre pagamento de propina na área

DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 17h21

Brasília - O ex-gerente-executivo de Petroquímica Petroquisa Paulo Cézar Amaro Aquino disse à CPI da Petrobrás que a informação de que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa participou de um grande esquema de corrupção na estatal causou surpresa entre os funcionários. "Foi uma tristeza profunda, uma decepção muito grande", resumiu.

Embora tenha sido indicado para a função por Costa, o hoje funcionário aposentado disse que não tinha relação pessoal com o ex-diretor e que nunca ouviu falar sobre pagamento de propina na área.

O ex-gerente contou que usou uma vez um avião da Odebrecht para participar da inauguração da Petroquímica Suape e que, na ocasião, não viu nenhum conflito de interesse na carona (de Recife para o Rio de Janeiro) porque outras pessoas da estatal também utilizaram o avião. Questionado sobre encontros com o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o ex-funcionário disse que se reuniu com o empresário "duas ou três vezes".

Aquino veio esclarecer supostas denúncias de favorecimento em compras de empresas petroquímicas pela estatal, entre elas a Triunfo e a Suzano. Ele negou irregularidade nos processos de incorporação da Triunfo pela Braskem e disse que o negócio com a Suzano foi atestada pelo Cade e pelo Ministério Público. "A briga (sobre a Petroquímica Triunfo) foi até 2009 e a Petroquisa ganhou em todas as instâncias", completou.

Durante seu depoimento, Aquino explicou que ao contrário dos anos 90, onde se estabeleceu um plano de desestatização de empresas, na década de 2000 a Petrobrás voltou ao setor petroquímico. O objetivo era criar empresas mais "robustas e competitivas", para se contrapor à entrada dos produtos mais baratos vindos da Ásia. "Daí decidiram concentrar esforços em empresas que pudessem competir com as asiáticas", explicou.

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