ENTREVISTA-Mangabeira lamenta ter trabalhado para o Opportunity

O ministro Roberto Mangabeira Unger,da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, dissenesta sexta-feira se arrepender de ter trabalhado para o grupoOpportunity, ligado a Daniel Dantas. "A resposta é sim, eu me arrependo", afirmou à Reuters,quando questionado sobre como se sentia em relação ao seuenvolvimento com o Opportunity, com quem manteve relaçõesprofissionais antes de se tornar ministro. "Eu deveria ter seguido o conselho dos meus colegas deseparar. Eu tive atividades profissionais no Brasil porquequeria ter engajamentos no Brasil. Deveria ter separado, comotodo mundo me aconselhou a fazer: ter atividades profissionaisfora ganhando muito mais e reservar o Brasil para as minhasgrandes iniciativas cívicas." Mangabeira representou a Brasil Telecom nos Estados Unidosantes de se tornar ministro em 2007. Na época, a companhiatelefônica era controlada pelo Opportunity. Dantas foi um dos alvos da Operação Satiagraha, realizadapela Polícia Federal (PF) no mês passado. Segundo a PF, ele ésuspeito de ter cometido evasão de divisas e tráfico deinfluência, entre outros crimes. Para o ministro, não restam dúvidas de que suas relaçõesprofissionais com Dantas não existem mais. "As minhasatividades profissionais privadas já esclareci todas. Quandotomei posse, vieram com questionamentos. Agora, repetiram tudoque tinham questionado. Está 200 por cento esclarecido." Na semana que vem, a Comissão de Ética Pública do Executivodeve analisar informações sobre o suposto envolvimento deautoridades do governo com o esquema liderado por Dantas. Alémdo ministro, foi citado pela Polícia Federal o chefe degabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, GilbertoCarvalho. A CPI da Câmara sobre Escutas Telefônicas também tratará doassunto. Na semana que vem, ouvirá o delegado ProtógenesQueiroz, que deixou a direção das investigações da OperaçãoSatiagraha. O depoimento de Daniel Dantas está marcado para asemana seguinte. Mangabeira disse que o retorno do caso à pauta não opreocupa. "Não há no governo brasileiro ou fora do governo brasileironinguém mais radical do que eu em afirmar a importância de umamuralha intransponível entre o privado e o público. Nesse maisde um ano de atividade pública, ninguém me abordou com assuntoprivado. Nunca ninguém sequer tentou, porque já sabempreventivamente que comigo não", concluiu. (Reportagem adicional de Raymond Colitt e Ana Nicolaci daCosta)

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