Ricardo Botelho/Estadão
Ricardo Botelho/Estadão

Entrevista: ‘É preciso ter vozes que se respeitem’

Para Mônica Sodré, agregar diversas formas de pensamento é uma das principais metas do debate público

Fabiano Alcântara, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 17h00

Cientista política e diretora-executiva da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), Mônica Sodré foi uma das participantes do evento que discutiu a democracia em tempos de hiperconectividade. Ela falou sobre como o sistema político pode se aperfeiçoar, a partir da participação de mais atores políticos, e como se melhora o debate para evitar as polarizações. Mônica defendeu a importância de se valorizar a informação de qualidade e de se apegar aos fatos em detrimento das opiniões.

Quais são os próximos desafios para fortalecer o sistema político?

Um passo importante que nós precisamos dar é oferecer soluções para além do diagnóstico. Isso não é simples. Não é então somente o que se precisa fazer, também como se fazer com limitações orçamentárias. A gente tem teto de gastos. Tem uma série de dificuldades para prefeitos, vereadores, deputados federais, gestores, de maneira geral, para poder tocar algumas políticas nos seus locais. Então, resumiria desta duas formas.

Congregar pessoas de diferentes partidos e espectros políticos poderia ser um modelo para o diálogo e aperfeiçoamento da democracia?

Não abrimos mão que a diversidade esteja colocada. Seja ela partidária, étnica, geográfica ou de gênero. Tem muita importância, sobretudo em uma época de discussões tão polarizadas, acirradas, em que a tecnologia pode ser usada para manipular a qualidade de uma informação.

E como se qualifica este debate para que ele não fique só no ‘preto no branco’, evitar as polarizações?

Primeiro, trazendo diferentes atores. Segundo, colocando regras, com o perdão da palavra, de civilidade. Sabemos que as pessoas são, por vezes, adversárias eleitorais, sabem que elas têm diferenças. Ter diferentes vozes no debate e garantir também que as pessoas se respeitem, partindo sempre dos fatos e não das opiniões. É um exercício que fazemos no cotidiano.

Como trazer questões como a sustentabilidade para as pautas legislativas?

Essa questão está em voga pelos acontecimentos recentes (desmatamentos e queimadas). Mas nós temos a preocupação de trazer outros objetivos de desenvolvimento sustentável para a discussão. Não é simples. 

Incentivar a diversidade é um caminho natural para que a representatividade, de fato, aconteça?

Eu atribuo isto, primeiro, a uma sociedade que tem olhado de maneira mais cuidadosa para a política e, portanto, se preocupado em participar mais para além dos momentos eleitorais. E vejo também uma preocupação nossa em chegar a este público, que, em geral, não chegávamos. Uma comunicação mais segmentada. Se sabemos que tem uma liderança negra que fala com o público que não falamos, temos pedido ativamente para que esta pessoa faça propaganda e chame outras para a instituição.

Qual avaliação você faz do seminário?

São dois pontos fundamentais. Um debate de alto nível, numa casa legislativa, aberto ao público, gratuito, com transmissão online também para pessoas que não puderam estar aqui. O segundo, é um tema de fundamental importância para uma organização que nasceu com o compromisso de melhorar a democracia no Brasil. São duas organizações de natureza distinta (‘Estado’ e RAPS) mostrando que dá pra fazer, juntos, eventos, debates e fazer informação de qualidade circular, para que a democracia tenha a qualidade aprimorada.

Tudo o que sabemos sobre:
democracia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.