Entrevista de Pereira não ajuda impeachment, diz Mercadante

A possibilidade de líderes dos partidos de oposição tentarem usar a entrevista concedida ao jornal O Globo pelo ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, para responsabilizar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo esquema do valerioduto e com isso fortalecer a tese de impeachment não assusta o pré-candidato do partido ao governo do Estado de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante. "Desde o início desse processo há um setor que eu diria com pouca responsabilidade democrática, precipitado nas atitudes e sem nenhum amparo na sociedade e nos fatos", disse o senador.De acordo com Mercadante, o presidente Lula vai continuar governando "com muita tranqüilidade", independente das novas informações fornecidas pelo ex-secretário". Na entrevista, Silvinho, como é conhecido o ex-secretário, conta que o objetivo da operação comandada pelo empresário Marcos Valério e a cúpula do PT era arrecadar R$ 1 bilhão. Ele disse ainda que quem mandava no partido na época eram Lula, o ex-presidente do partido, José Genoino; o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; e o próprio Mercadante.Ontem, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, disse que a entrevista de Pereira pode ser um fio para se chegar a um pedido de impeachment. O vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, afirmou que, se Lula não tinha conhecimento de nada, não tem a menor condição de permanecer na Presidência da República.Segundo o senador petista, as novas denúncias apenas comprovam que o governo federal nunca admitiu qualquer prática que pudesse prejudicar os interesses públicos. "Na entrevista, ele (Silvinho) diz e repete mais uma vez o que todas as investigações comprovaram que não há nenhuma responsabilidade do presidente Lula", afirmou Mercadante, ao chegar ao diretório zonal do PT no bairro de Pinheiros na capital paulista, onde votou nas prévias do partido para a escolha do candidato ao governo do Estado. "Não só não há responsabilidade como, mais do que isso, não houve alguma tentativa de prejudicar o interesse público com operações escusas e práticas de corrupção. O governo não permitiu que acontecesse".ReeleiçãoQuestionado sobre se as novas informações fornecidas por Silvio Pereira podem prejudicar de alguma forma a reeleição do presidente Lula, Mercadante afirmou que não tem dúvidas de que esse é um tema que estará presente em toda a campanha eleitoral, mas insistiu que o governo está bem posicionado para enfrentar o pleito deste ano. "Faz parte da estratégia da oposição".Ainda em relação à entrevista, Mercadante pediu que as novas informações sejam apuradas e aproveitou para se posicionar a favor da aprovação por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da minirreforma política, já aprovada no Congresso Nacional e que propõe medidas para reduzir o custo de campanha e minimizar a ocorrência de caixa dois. "Acho que essa é maior contribuição que nós poderíamos dar ao País depois dessa experiência dolorosa".Em relação ao fato de ter sido citado por Pereira como participante de encontros com empresários para a busca de recursos para as campanhas eleitorais, Mercadante afirmou que esses relacionamentos fazem parte da vida pública e em momento algum significam algum tipo de infração à lei. "O que jamais nesses encontros ocorreu foram práticas ilícitas, propostas indecorosas", disse o senador. "Se eu não tivesse encontros com todos os setores da sociedade não teria obtido 10,5 milhões de votos".Sobre o momento da divulgação da entrevista, Mercadante sugeriu que pode haver interesse eleitoral. O senador insistiu que esse é um momento em que o presidente Lula lidera todas as pesquisas e em que o governo encontra-se em posição favorável. "Há muito tempo que eu não tenho contato com o Silvio Pereira. Não tenho a menor idéia do porque ele falou agora, na véspera de uma prévia num momento importante para o partido", afirmou Mercadante.MartaApesar de pessoas ligadas a Mercadante terem dito ontem ao jornal O Estado de S. Paulo que há possibilidade de as denúncias terem sido originadas pelo grupo de apoio à sua adversária nas prévias, a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, Mercadante evitou atribuir à ex-prefeita qualquer tipo de responsabilidade pelo citação de seu nome na entrevista de Silvio Pereira. Segundo ele, a pré-campanha ao governo do Estado ocorreu de forma "respeitável e construtiva". Ele ressaltou que não tem nenhum tipo de crítica a fazer a sua colega de partido.Questionado sobre se as denúncias de Pereira marcarem mais um episódio de "fogo amigo" dentro do PT, Mercadante acrescentou: "Acho que não só fogo amigo. Acho que a forma como foram administradas as finanças do partido depois de 2002 prejudicou decisivamente uma historia muito bonita".

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