Entrevista de Dilma a jornal causa boa repercussão no PT

SÃO PAULO - A subida de tom da presidente Dilma Rousseff em relação aos rumores sobre impeachment repercutiu bem no PT. Depois que Dilma disse à Folha de S. Paulo que "não vai cair", o vice-presidente e responsável pela estratégia de mídias sociais do PT, Alberto Cantalice, disse que não é possível prever a repercussão da entrevista na internet, mas gostou do tom da fala.

José Roberto Castro, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2015 | 12h08

"Ela está indignada porque vem sendo desrespeitada seguidamente por opositores. Chega um momento em que tem que dar uma resposta", avalia Cantalice. Ele diz que o partido vai trabalhar o discurso mais duro da presidente em seus canais oficiais para "dar repercussão" à resposta de Dilma. "Nós já vínhamos respondendo (sobre os rumores de impeachment) desde a convenção do PSDB. Na nossa avaliação, (a entrevista) é uma resposta à oposição que insiste em terceiro turno", diz Cantalice, que é membro da Construindo um Novo Brasil (CNB), maior corrente do partido.

Um texto sobre a entrevista da presidente já foi publicado no site oficial do PT sob o título "Não me aterrorizam, diz Dilma sobre tentativa de golpe". No Facebook, o texto foi publicado com a legenda "PRESIDENTA FORTE". Até publicação desta reportagem, nem o presidente do PT, Rui Falcão, nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam se pronunciado sobre a entrevista.

Um dos fundadores da Democracia Socialista, o deputado estadual Raul Pont (RS) diz que a fala de Dilma está "de acordo com o padrão que o PSDB e outros setores oposicionistas estão tentando criar no País". "É um absurdo uma convenção de um partido que perdeu a eleição dentro do jogo democrático com declarações claramente golpistas", disse Pont. A Democracia Socialista, aliada à Mensagem ao Partido, é a segunda maior força do PT e tem ministros importantes como José Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto.

Pont lamentou, porém, que a subida no tom não seja acompanhada de um movimento de imposição do governo perante o PMDB. Pont participa de um movimento de setores petistas que quer promover mudanças no PT para que o partido dê uma guinada à esquerda. "Reconheço que a presidenta quer manter alguma governabilidade, mas é esquizofrênica relação que o PMDB tem, através do Eduardo Cunha, com o governo", disse Pont ao comentar a declaração da presidente de que o PMDB "não quer" tirá-la do poder.

"Se (o vice-presidente Michel) Temer e (o ministro Eliseu) Padilha querem estar no grupo político, e é legítimo que estejam, tem de haver contrapartida. Tem de mostrar que PMDB controla seus eleitos", cobrou Pont, que chamou de "incoerente" a postura dos peemedebistas. 

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