Entregar cargos é o caminho da independência do PMDB, diz Temer

Depois de derrotar o grupo aliado ao Palácio do Planalto na Executiva Nacional, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), afirmou que a decisão em favor da saída dos ministros Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência) do governo significará que "o partido está no caminho da independência". O deputado se comprometeu a preparar a legenda para a sucessão presidencial em 2006 e confirmou que abrirá, no próximo domingo, a convenção nacional convocada pelos diretórios estaduais.Temer acrescentou que a questão da devolução ao governo federal dos cargos que estão nas mãos de partidários do PMDB estará na pauta, podendo, inclusive, confirmar a posição de hoje da Executiva.Enquanto os aliados de Temer saíram vitoriosos da reunião de hoje, os governistas, liderados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL) e pelo o ministro Eunício Oliveira, foram derrotados. Dois fatores foram mencionados por Renan para justificar o fracasso: o deputado Michel Temer votou duas vezes - como membro da executiva e presidente do partido, numa situação inédita. O segundo motivo, foi o fato de os governistas terem sido surpreendidos com os votos do deputado Tadeu Filippelli(PMDB-DF) e do ex-deputado Renato Viana(SC)que haviam prometido na véspera votar com os aliados do presidente Lula na proposta de adiar a convenção, evitando assim que os ministros e outros titulares de cargos no Executivo devolvessem os postos ao governo. Pior: Renato Viana deixou que acrescentassem à sua proposta de adiamento da convenção nacional - feita verbalmente - a exigência de que só seria transferida para março mediante a entrega dos cargos em 48 horas.O comportamento de Renato Viana motivou até um comentário duro de Monica Oliveira, tesoureira do PMDB e mulher do ministro Eunício Oliveira. "Vossa Excelência não teve a coragem de formular com clareza sua proposta e está tratando os ministros do seu partido com se fossem serviçais , sem direito até mesmo de aviso prévio", disse, causando um constrangimento geral entre os presentes. O clima da reunião do PMDB foi pesado e acirrado, além de confuso no encaminhamento das propostas. Ninguém se entendia e do lado de fora eram ouvidos socos à mesa e gritos. "Leia a ata, leia a ata, a gente quer saber o que votou", reagiu o senador Maguito Vilela em meio à confusão que durou quatro horas. "Assim não dá, não há condições de votar", repetia Renan Calheiros. Renan não conseguiu sequer votar a sua proposta de adiar a data da convenção sem tocar na questão dos cargos. Mas, confessou ter sido atropelado pelos governadores Joaquim Roriz ( DF) e Luiz Henrique (SC). "Os dois são da órbita de influência dos governadores", respondeu Renan ao ser indagado se fora traído pelos dois integrantes da Executiva.

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