Entrada de Lula na campanha de Marta foi "precipitada"

O apoio expresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem rendido benefícios à campanha da prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy, principalmente em relação à agregação de votos. A afirmação é da consultora do Grupo Estado para análise de pesquisas eleitorais, Fátima Pacheco Jordão, em entrevista à Agência Estado. "O discurso que o Lula escolheu foi de elogiá-la, lembrar as obras que ela fez e estimular o voto nela. Isto é pouco para o eleitor", complementou. Para Fátima, a entrada de Lula na campanha foi precipitada, pois poderia ser mais efetiva no segundo turno, uma vez que as atuais pesquisas de intenção de voto mostram a estagnação do tucano José Serra e de Marta Suplicy. "A tendência que deverá prevalecer é os dois candidatos (Marta e Serra) terminarem o primeiro turno praticamente empatados", avaliou a analista.De acordo com Fátima, a capacidade de transferência de voto precisa ir além da simpatia ou da simples orientação do bom desempenho dos candidatos. E para que o apoio de Lula fosse efetivo, teria de estar associado a algumas melhorias que a prefeita realizou na cidade, ou a projetos que de fato o presidente da República poderia garantir, no caso de reeleição de Marta Suplicy.Ao falar em apoios, ela destaca o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ela, o governador tem demonstrado mais capacidade de transferência de voto. "Não porque está melhor situado em termos de popularidade na Capital, mas também porque atrela o elogio ao Serra a perspectivas concretas, como a construção conjunta da expansão do metrô, ou seja, benefícios concretos para o eleitorado." Fátima Jordão acrescentou que o previsível era a entrada do presidente Lula apenas no segundo turno das eleições, onde a decisão do pleito será mais apertada. "Mas provavelmente a avaliação que o PT fez foi a de que a diferença entre Serra e Marta poderia aumentar até o final do primeiro turno. E o que eles (PT) mais almejaram foi tentar barrar a ascensão que o Serra vinha apresentando nas últimas quatro pesquisas de intenção de voto."Segundo a consultora do Grupo Estado, as recentes simulações de segundo turno, a candidata petista não agrega mais do que 4 pontos porcentuais à sua votação. "Ou seja, temos a impressão que ela chegou ao máximo de capacidade de agregação de votos. Então a participação do Lula, que poderia ser mais efetiva no segundo turno, foi precipitada ao meu ver, " complementou.

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