Entoado pelo PT, 'volta, Lula' gera apreensão na base

Uma das reações imediatas dentro de setores do PT com a queda nos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff nas últimas pesquisas foi o surgimento do "volta, Lula" para as eleições de 2014.

ERICH DECAT, Agência Estado

19 de julho de 2013 | 18h18

Apesar da discussão ainda estar sendo feita intramuros e, na avaliação de fontes ligadas ao governo, se tratar de uma hipótese descartada veemente pelo próprio ex-presidente, integrantes da base aliada já fazem os devidos cálculos políticos e se movimentam em torno da possível mudança no tabuleiro eleitoral para o próximo pleito.

O Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, procurou lideranças das legendas aliadas PMDB, PSB, PDT, PR, PP e PSD para conversar sobre o tema. Se por um lado a maioria diz acreditar que o eventual retorno de Lula é algo indefinido, por outro essa sinalização de setores do PT é considerada uma demonstração de fragilidade da gestão Dilma.

"O ''volta, Lula'' defendido defendido por alguns do PT é um absoluto sinal de fracasso do governo atual, é isso que me parece. Não é uma discussão nossa, mas estão fazendo uma condenação do atual governo", avaliou o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS). Para ele, dificilmente o ex-presidente vai alimentar essa discussão internamente. "O Lula é um grande líder e não vai fazer esse papel", acrescentou o deputado.

Outras lideranças consultadas pela reportagem ponderaram que seria difícil encontrar uma justificativa plausível para a eventual retirada do nome de Dilma numa disputa natural à reeleição. Fora os impactos que isso poderia ter junto ao eleitorado, essas lideranças alertaram para o fato de que essa discussão pode fragilizar a presidente da República, num momento de instabilidades econômica e política, podendo até mesmo criar uma situação irreversível para o governo.

"O ''volta Lula'' é incerto e os reflexos disso podem causar impactos irreversíveis para a base do governo porque pode ser entendido como a confirmação de que a aposta dele em Dilma não deu certo. E qual será a leitura da sociedade disso tudo?", questionou o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

"É verdade que cria uma insegurança dentro da base muito grande. Hoje encontrar dentro do PT quem não defenda a volta do Lula está difícil", atesta o presidente de uma das legendas da base aliada, que pediu para não ser identificado. "Mas se fragilizar demais a presidente Dilma, acho que nem o Lula dá jeito. É um risco muito grande essa estratégia", advertiu.

O silêncio de Lula

Em meio ao momento de incerteza disseminado dentro da base e da discussão sobre qual cenário irá prevalecer no pleito de 2014, não faltam teses de que a movimentação de setores do PT pelo "Volta Lula" teria o respaldo do próprio petista. "O silêncio do Lula neste momento é uma forma de se gritar pelo retorno dele", diz um parlamentar da base aliada. E ironiza: "O processo (do volta Lula) começou quando o próprio ex-presidente lançou a Dilma."

A disputa do PT por um espaço maior dentro do atual governo é vista também como um dos motivos dos ataques à Dilma. "É simples: querem o ''volta, Lula'' porque querem recuperar o poder que perderam com Dilma. É assim que o jogo é jogado", resumiu o vice-líder do PMDB, Danilo Forte (CE). O presidente de honra do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), foi na mesma linha: "É uma tentativa de tentar ter mais espaço." Contudo, Dornelles acredita que "não tem clima" para o ''volta, Lula''.

PT da oposição

A retaliação à presidenta por parte de setores do PT também vem sendo percebida em pequenos gestos políticos do dia a dia de Brasília. "Os deputados e senadores petistas nem foram ao evento dos prefeitos no dia do discurso da Dilma. Nenhum deles. Zero. Quer um recado maior do que esse?", ponderou um integrante da cúpula do PMDB, numa referência à 16ª da Marcha dos Prefeitos, realizada na capital federal, na semana passada.

Em meio ao ambiente político controverso, um dos caminhos sugeridos para tirar parte do PT da "oposição" ao governo é o de Dilma ampliar a interlocução com a base. "Se a presidente Dilma encontrar um caminho para arrumar a base, dando mais poderes a Ideli Salvatti (ministra de Relações Institucionais), ou a qualquer outro integrante do partido na articulação, duvido que o PT vai fazer oposição", afirmou um senador aliado.

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