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Entidades ligadas a empresários se manifestam em favor de impeachment

Executivo da Fiep declara apoio a possível governo do vice-presidente, Michel Temer; presidente da Firjan pede que Congresso se empenhe para avançar com processo contra Dilma

Lucas Hirata, Mariana Sallowicz e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2016 | 20h58

No dia em que o ex-presidente Lula foi empossado ministro-chefe da Casa Civil e teve a nomeação suspensa por uma liminar, deferida pelo juiz Itagiba Catta Preta Neto, da Justiça Federal da 4ª Região, grupos empresariais se posicionaram contrários à permanência de Dilma Rousseff na Presidência da República. Para aproximadamente 300 líderes de associações empresariais, deputados e senadores devem priorizar o impeachment contra a presidente. O encontro ocorreu na tarde desta quinta-feira, 17, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Um possível governo do vice-presidente, Michel Temer, tem o apoio do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O executivo afirmou que o empresariado dará "um voto de confiança" a "qualquer grupo político que dentro da ordem constitucional" passe a comandar o País. 

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, reiterou que o Congresso deve trabalhar e votar pela saída de Dilma. "Não podemos continuar nessa pasmaceira", criticou.

Fiesp. Cerca de 300 líderes de associações empresariais decidiram iniciar uma pressão conjunta para que os deputados e senadores priorizem o impeachment da presidente, após reunião no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Até esta quarta, a Fiesp exigia a renúncia de Dilma Rousseff. "Mas como a presidente não renunciou nem sinalizou que vai renunciar, nós estamos defendendo o impeachment já", disse Paulo Skaf, presidente da entidade.

O encontro foi convocado nesta quarta, logo após a indicação de Lula para a Casa Civil. O objetivo era discutir o agravamento da crise política e econômica.

 

Fiep. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson Campagnolo, sinalizou nesta quinta-feira apoio a um possível governo de Michel Temer (PMDB), atual vice-presidente da República, no caso de um impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

O executivo contou que, após encontro com empresários de seu Estado, foi validado um manifesto a favor da “derrubada” da presidente Dilma Rousseff. “Quando olhamos para frente, não conseguimos enxergar uma luz no final do túnel, mas nós temos um vice-presidente, que na ordem constitucional deve receber esse posto [da Presidência]”, afirmou o executivo em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, após encontro na Fiesp.

“Qualquer grupo político que dentro da ordem constitucional vir a assumir, estamos dando um voto de confiança porque não podemos esperar mais três anos para findar esse governo”, acrescentou.

O executivo minimizou o possível impacto de denúncias sobre um eventual mandato de Temer como presidente. “Sabemos que algumas vezes termina um governo, uma prefeitura ou uma legislação, e aquele que foi ‘impedido’ de tomar posse toma posse por meios dentro da legalidade e leva o mandato até o fim. Daqui a pouco, isso pode acontecer com Michel Temer”, acrescenta.

 

Firjan. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, se posicionou na tarde desta quinta-feira, em coletiva de imprensa, a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para ele, a crise "atingiu o seu ápice" nesta quarta.

"Achamos que o domingo (dia de manifestações no País) tinha sido o ápice, mas ontem a temperatura subiu muito, na constatação da imoralidade que está prevalecendo no governo. E a sociedade não aguenta mais", afirmou. Ele afirmou que os empresários estão "horrorizados" com o momento atual.

O presidente da entidade defendeu ainda que há uma "travessia curta" a ser feita. "Podemos ter um novo governo no início de maio, se o Congresso trabalhar na direção em que precisa trabalhar", afirmou. "(Vamos) mostrar aos parlamentares da obrigação deles, de votar para o Brasil, mudando a presidente do Brasil o mais rapidamente possível. Não podemos continuar nessa pasmaceira", disse.

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