Entidades internacionais unem-se contra "globalização do crime"

A escalada da violência no País chegou a tal ponto que entidades internacionais de defesa dos direitos humanos, preocupadas com assassinatos dos prefeitos de Campinas e Santo André, decidiram se mobilizar para evitar novos crimes e esclarecer os já ocorridos. A violência contra políticos foi o principal tema nos debates entre autoridades de várias partes do mundo, na segunda edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.O prefeito de Guarulhos, na Grande São Paulo, Elói Pietá (PT), informou à Agência Estado que uma das principais propostas é criar uma fundação internacional para apoiar as ações desenvolvidas no Brasil que evitem novos crimes dessa natureza.A proposta de criação dessa fundação conta com o apoio da ex-primeira-dama da França, Danielle Miterrand, garantiu Pietá, e deverá receber outras adesões. A viúva do ex-presidente François Miterrand também participou da segunda edição do Fórum Social Mundial, na condição de presidente da Organização Não-Governamental (ONG) France Liberté, entidade voltada para a defesa da cidadania e dos direitos humanos.Nos encontros em Porto Alegre ficou estabelecido que os representantes brasileiros nessa fundação deverão ser os atuais prefeitos de Campinas, Izalene Tiene (PT), e de Santo André, João Avamileno (PT). Segundo o prefeito de Guarulhos, a idéia conta com o apoio não apenas de organismos internacionais, mas também de prefeitos da América Latina, Europa e Ásia.Essa luta internacional contra o que as autoridades classificaram de "globalização do crime organizado" deverá ser estendida para toda a sociedade. Na opinião de Pietá, o foco dessa fundação será nos políticos ameaçados ou assassinados, mas a luta vai estender-se para a sociedade de maneira geral, "pois a violência política está sendo praticada contra toda a sociedade".O prefeito de Guarulhos participou das atividades do segundo Fórum Social Mundial acompanhado de dois seguranças. Ele revelou que continua recebendo ameaças de morte. "Recentemente recebi uma dessas correspondências, mas nem cheguei a abrir e enviei tudo para a polícia investigar", disse. E reafirmou que as ameaças a integrantes de seu partido não são recentes: "Somente após as mortes do Toninho e de Celso Daniel é que foi colocado a público o que já havíamos informado, há tempos, à polícia, ao governador e ao presidente da República."No seu entender, é preocupante o aumento da violência política num ano de eleições gerais. "A situação é extremamente grave, pois já vivemos um quadro de violência política. Dessa forma, precisamos nos mobilizar e o apoio de entidades internacionais é muito importante para essa luta", disse. Para Pietá, é preciso ações urgentes na área de segurança pública, destacando que, "infelizmente o Brasil já entrou no processo de colombização".

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