Entidades entregam a Temer manifesto contra 'Lei da Mordaça'

Projeto autoriza a condenação de autores de açõe quando for reconhecida intenção de promoção pessoal

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

17 de junho de 2009 | 17h14

Entidades de classe do Judiciário e do Ministério Público (MP) entregaram nesta quarta-feira, 17, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), manifesto contra o projeto de lei nº 265/07, conhecido como "Lei da Mordaça", de autoria do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). O projeto autoriza a condenação de autores de ações públicas e populares quando for reconhecida pela Justiça intenção de promoção pessoal, má-fé ou perseguição política. Ele também penaliza os responsáveis pela ação com multa equivalente a dez vezes o valor dos custos processuais gastos pelos acusados, além de prever condenação de até 10 meses de prisão aos autores.

 

Os membros das entidades de classe rejeitam o projeto com a justificativa de que as instituições já contam com mecanismos para combater esses tipos de ações. "Há corregedorias e também conselhos nacionais que têm como objetivo combater ações vinculadas a interesses particulares", justifica o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Antônio Carlos Bigonha. "Isso é um retrocesso. Criminaliza a atividade do MP e do Judiciário. O caminho é descriminalizar a atividade para que ela assuma a sua independência de atuação diante dos outros poderes", afirma.

 

Para o presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), José Carlos Cosenzo, o projeto é uma represália do ex-prefeito de São Paulo motivada pelos processos criminais e civis nos quais já foi réu. "Ele (Paulo Maluf) usa o mandato para retaliar o MP. O projeto prejudica a sociedade, pois cerceia a ação daquele que quer acabar com a impunidade", diz Cosenzo. Bigonha também critica o autor do projeto. "É uma postura de reação por investigações e inquéritos movidos contra o deputado."

 

O manifesto que foi entregue a Temer no Salão Verde da Câmara dos Deputados é assinado por representantes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), entre outras entidades. O objetivo é dissuadir Maluf de apresentar o projeto para votação. A "Lei da Mordaça" está pronta para entrar na pauta do plenário e tem pedido de urgência para ser votada. Procurado pela reportagem, Maluf não foi encontrado pela sua assessoria.

Tudo o que sabemos sobre:
''Lei da Mordaça''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.