Entidades empresarias da consrução civil fazem chamado por diálogo nacional

Às vésperas das manifestações contra Dilma e o PT, associações divulgam manifesto

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 14h01

A poucos dias dos protestos que ocuparão as cidades brasileiras e terão como principais alvos Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT, entidades empresarias do setor de construção civil divulgaram ontem uma chamada à sociedade para um diálogo em favor da democracia.

O documento chama atenção para as crises política e econômica vividas pelo País, que, segundo o texto, "se alimentam mutuamente". No documento, as organizações dizem acreditar nos "valores da democracia", pedem que a sociedade apoie o "combate à corrupção"  e clamam pelo consenso entre os Poderes Executivo e Legislativo, que "precisam urgentemente superar o atual estágiod e conflito". 

Em nota conjunta publicada na semana passada, as Federações das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan) afirmam que o momento econômico e político brasileiro "é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil". O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que o País caminha para o caos, se não houver entendimento entre o Congresso e o governo.

Sindicatos. Os sindicatos das seis maiores centrais do País também se uniram para um documento para defender a democracia e o crescimento econômico. São 12 dos maiores sindicatos do País que assinam o "Chamado ao diálogo pela democracia, por crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento nacional".

No documento, os sindicatos citam o "calendário eleitoral", a "estabilidade institucional" e os "fundamentos constitucionais", numa indicação clara de defesa do governo Dilma Rousseff, cujo mandato termina em 2018, mas é questionado pela oposição por conta dos possíveis crimes de responsabilidade fiscal em julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU), que poderiam impulsionar um pedido de impeachment da presidente no Congresso.

Os 12 sindicalistas afirmam que o País precisa voltar a crescer e distribuir renda para que o emprego formal volte a crescer. "Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição básica para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico", escrevem os sindicatos.

Entre os abaixo-assinados estão os sindicatos dos metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, e de São Paulo (Força Sindical), além dos Comerciários de São Paulo, ligado à União Geral dos Trabalhadores (UGT).  Juntas, CUT, Força e UGT representam mais de 5 mil sindicatos e tem ligações partidárias completamente distintas.

Enquanto a CUT é ligada ao PT e apoia o governo Dilma, a Força Sindical tem o presidente filiado ao Solidariedade, partido cujo presidente nacional, o deputado Paulinho (SD-SP), é defensor entusiasmado do impeachment. A direção da Força ainda conta com sindicalistas ligados ao PSDB, como o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Antônio Ramalho, que é um dos 12 sindicalistas que assinam a carta.

A Força também conta com participação grande de sindicalistas do PDT, que, por sua vez, faz parte da base aliada do governo Dilma. Já a UGT, cujo presidente é filiado ao PSD e apoia o governo petista, conta com a direção ligada ao PPS, que defende o impeachment.

Estão representados, também, sindicatos da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Nova Central (NCST) e da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB). A CTB é ligada ao PC do B e ao PSB, enquanto a CSB é o braço sindical do PMDB.

Os sindicatos citam a necessidade do governo de combater a inflação, reduzir os juros, aumentar os investimentos em infraestrutura e também citam duas pautas próximas daquelas defendidas por empresários, como uma "política cambial que incentive a atividade produtiva" e a "modernização das instituições, das leis e do Estado". 

Ao final, os sindicalistas "conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada a reestabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento social".


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