JF Diorio/AE
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Entidades e partidos criticam 'golpismo midiático' e defendem controle social da mídia

Para jornalista, imprensa é parcial ao cobrir as eleições; ex-prefeita Luiza Erundina vê 'macarthismo' na ação da mídia

Jair Stangler/SÃO PAULO, Estadão.com.br

23 de setembro de 2010 | 23h21

Em ato realizado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 23, partidos e entidades criticaram o que chamam de 'golpismo midiático' e defenderam o 'controle social' da mídia. Estiveram presentes ao ato representantes da coligação que apoia a candidata Dilma Rousseff (PT) e de centrais sindicais, além de outras entidades.

 

Representando o PSB, a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que foi ovacionada pelos presentes, acusou 'macarthismo' na imprensa e afirmou que "o controle social terá que acontecer". "É o estado que faz a outorga, a sociedade vai ter o controle", afirmou.

 

Para ela, o 'golpismo midiático' se explica porque "deu certo o governo do primeiro presidente operário e porque vamos eleger a primeira mulher presidente do Brasil". E acrescenta "vamos ficar vigilantes, eles vão tentar tudo."

 

Cobertura 'enviesada'

 

Altamiro Borges, que preside Centro de Estudos de Mídia Independente Barão de Itararé, entidade que organizou o ato, esclareceu confusão que teria ocorrido na divulgação do evento. Segundo ele, o ato não foi contra a mídia. Segundo ele, parte da imprensa (os debatedores, em geral, citavam o Estado, a Globo, a Folha e a Abril), faz uma cobertura 'enviesada' "Claro que tem que apurar o caso da Erenice Guerra, mas não falam dos problemas da filha do Serra. Porque isso não dá manchete?", diz referindo-se à denúncia feita pela revista Carta Capital, que acusa Verônica Serra de ter violado o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

 

Ele afirma que não está sendo proposto um "controle de mídia, termo já estigmatizado", mas mas sim "que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista."

 

Para ele, quem é contra a imprensa "são os donos das empresas, como já foram no passado ao defenderem o golpe, ao defenderem a ditadura. Continuam sendo ao defenderem golpe na Venezuela, em Honduras." Além disso, "eles fazem uma confusão grotesca, ao confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa e liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Então o monopólio tem liberdade para mentir, para dissimular, para caluniar e nós não podemos fazer nem uma manifestaçãozinha?", questiona.

 

Ele teme que as denúncias surtam efeito no processo eleitoral. "A eleição não está decidida, quem colocar salto alto pode se arrebentar. Acaba surtindo efeito no setor médio da sociedade, que é muito influenciada pelo noticiário. Em 2006, esse setor médio, naquela onda de denúncias dos aloprados, conseguiu reverter quase 5% dos votos. Foi o que forçou o segundo turno".

 

Para ele, há dois fatores para que essa influência não seja maior. Primeiro, a comparação com o governo FHC e a constatação de que o governo Lula seria melhor. E além disso, a disseminação de outros blogs e outras fontes de informação que acabam fazendo um contraponto. Altamiro classifica setembro de 2010 como um dos períodos 'mais tristes da imprensa brasileira' e qualifica sua ação como 'nojenta'. Altamiro vê quatro objetivos centrais nessa ação: garantir o segundo turno; estancar a 'onda vermelha' nos Estados, que mudaria a composição do Congresso; deslegitimar um eventual governo Dilma; e tornar o eventual governo Dilma refém da agenda da mídia.

 

"Local para o debate é o sindicato"

 

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e secretário geral da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Augusto Camargo, também teceu críticas à atuação da mídia, que segundo ele, "distorce e divulga opiniões como fatos." Ele também defendeu a realização do evento na sede do Sindicato. "A sociedade sabe que o local para o debate é o sindicato", afirmou.

 

Já Gilmar Mauro, do MST, foi mais irônico. 'O dia que Folha, Estadão, Abril e Globo falarem bem, nós estamos errados", afirmou. Ele também afirmou que o comportamento da mídia é um aviso para que o governo promova a "democratização da mídia".

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