WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Agronegócio sente 'esperança' após votação na Câmara

CNA diz que admissibilidade do impeachment é importante para 'reconstrução do País'; para Abag, Temer passa boa 'impressão'

José Roberto Gomes, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2016 | 11h03

SÃO PAULO - Entidades ligadas ao agronegócio receberam de modo positivo o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, aprovado na noite deste domingo, 17, pela Câmara dos Deputados. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) diz receber a admissibilidade do impedimento "consciente da responsabilidade que terá no processo de reconstrução do País". Já a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) afirmou que "sente uma esperança a partir de agora".

"Entendemos que foi dado um primeiro passo importante para que se restabeleçam as condições de governabilidade, que consideramos essenciais para a volta do crescimento econômico, com equilíbrio e harmonia entre os brasileiros", afirmou CNA, em nota.

No comunicado, a CNA informa que, após ouvir produtores rurais de todos os Estados, decidiu se unir aos movimentos sociais urbanos na mobilização pelo impeachment e disse estar convicta de que contribuiu de forma efetiva para o resultado. Para a entidade, são necessárias "mudanças estruturais" nos Ministérios da Justiça, do Trabalho e do Meio Ambiente, além de outros órgãos federais.

"Fazemos um apelo ao Senado Federal para que dê sequência às ações empreendidas até agora, no sentido de avançarmos nas mudanças desejadas pela sociedade", acrescentou a CNA, referindo-se à continuidade do processo de impeachment, agora nas mãos do Senado.

Por sua vez, o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirmou ao Broadcast Agro, serviço da Agência Estado de informação sobre agronegócio em tempo real, que o setor recebeu "muito positivamente" o prosseguimento do processo de impeachment da Dilma. "A gente sente uma esperança a partir de agora", disse ele, que também é sócio-diretor da consultoria Canaplan.

Para Corrêa Carvalho, também há "boa impressão" em relação à figura do vice-presidente Michel Temer, que pode vir a assumir a Presidência da República caso o Senado Federal aceite e instale o processo de impeachment. "Ele é o oposto da Dilma. Acho que, com ele, a relação entre Congresso e Executivo vai melhorar muito. Ele provavelmente vai ter um ótimo relacionamento com o Judiciário. Ele tem chances de fazer um governo de transição muito importante."

Ainda de acordo com Corrêa Carvalho, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), "ficou numa posição muito à deriva" de seu próprio partido. Isso porque ela se manteve fiel à presidente Dilma mesmo após o desembarque do PMDB do governo, no fim de março, o que gerou críticas do próprio agronegócio a essa postura. O presidente da Abag ponderou que acredita que, em um eventual governo Temer, haja "grandes chances" de que ter um Ministério da Agricultura mais fortalecido.

Especulações em Brasília dão conta que entre os nomes para assumir a Agricultura em um eventual governo de Michel Temer estão o ex-secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio; o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e vice-líder da bancada do PSD, deputado federal Marcos Montes (MG); e o ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (GV Agro), Roberto Rodrigues.

Disputa. A CNA travou nos últimos dias uma disputa de poder com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Em campos opostos no processo de impeachment, os grupos foram responsáveis por arregimentar a maior parte dos manifestantes que ocuparam as duas vias de acesso ao Congresso Nacional durante a manhã e tarde deste domingo.

Do lado pró-impeachment a maior entidade que representa os ruralistas, a CNA, financiou a vinda de 500 ônibus, partindo de várias regiões do País. Os manifestantes começaram a chegar logo cedo nas proximidades da Esplanada e encontraram uma estrutura de recepção. Frutas, água e material de divulgação, nas cores verde amarelo.

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