Entidades decidem mover ação contra Requião

Conflito agrário na Syngenta e o não-cumprimento de reintegrações de posse motivaram iniciativa

Miguel Portela, do Estadão,

27 Outubro 2007 | 17h14

As entidades classistas de Cascavel (PR) decidiram mover duas ações coletivas, por improbidade administrativa e prevaricação, contra o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Motivam a iniciativa o conflito na fazenda experimental da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste - que deixou um sem-terra e um segurança mortos no último domingo -, e o não-cumprimento de ordens de reintegração de posse.   A decisão foi tomada na noite da última quinta-feira, 25, durante encontro na Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), que reuniu os principais líderes ruralistas do oeste paranaense. Ao final, foi acatada a sugestão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de mover as duas ações contra a pessoa física de Requião, não contra o Estado.   "Pretende-se responsabilizar o governador pelos danos ao patrimônio, praticado por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e Via Campesina e pelo não-cumprimento das ordens de reintegração de posse", disse o advogado e presidente da subseção de Cascavel da OAB, Luciano Braga Cortês.   De acordo com levantamento da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o Paraná tem hoje 86 propriedades invadidas pelos movimentos sociais. "Todas têm mandados de reintegração de posse, mas sem o cumprimento", disse Tarcísio Barbosa de Sousa, coordenador fundiário da Faep. "Quem lidera todos os desmandos do campo hoje e o responsável pelas mortes ocorridas na Syngenta se chama Roberto Requião."   O presidente da Sociedade Rural do Oeste (SRO), Alessandro Meneghel, fez um discurso mais comedido. "Lamentamos as mortes ocorridas. Ninguém quer a guerra no campo, mas também não podemos ficar de braços cruzados."   Hoje a Via Campesina e os movimentos sociais de todo o Paraná realizam um ato ecumênico e político lembrando a morte do líder do MST e da Via Campesina Valmir Mota de Oliveira. Além dele, o segurança Fábio Ferreira, 25 anos, morreu no confronto de domingo.   Reação   Escalada pelo governo, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná reagiu à decisão por nota. "A OAB-Paraná é uma ferrenha defensora dos direitos humanos. Portanto, é absurda a postura divergente e particular da entidade em Cascavel quando tenta inocentar e proteger um bando de pistoleiros travestidos de seguranças." Para a secretaria, acusar o governo de omissão "é buscar inocentar pistoleiros". O órgão está reunindo declarações de Meneghel para propor ação civil pública e pedir a extinção da Sociedade Rural do Oeste do Paraná.   (Colaborou Evandro Fadel )

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