Entidade divulga dossiê sobre morte de meninos no MA

Desde 1991, 22 meninos do Maranhão foram seqüestrados, assassinados e, depois de alguns dias, tiveram seus corpos localizados sem os órgãos genitais. Esses crimes e o andamento de cada uma das investigações constam de um dossiê elaborado pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Padre Marcos Passerini, de São Luís. A entidade está acompanhando os casos. Apesar da gravidade dos crimes, apenas dois acusados foram jugados e estão cumprindo pena. Um terceiro caso teve o julgamento adiado. Todos os outros ainda estão sendo investigados ou foram arquivados. O caso mais recente foi registrado em fevereiro, segundo Loide Gomes da Silva Ferreira, assistente social do Centro. "A principal dificuldade é punir os agressores", afirma ela.O primeiro garoto morto foi Ranier Silva Cruz, de 10 anos. Seu corpo foi localizado nas matas de um sítio, cinco dias após ter desaparecido de casa, com vários hematomas, perfuração nas costas e sem os órgãos genitais. A polícia investigou o caso, mas como não conseguiu indícios suficientes da participação dos suspeitos - entre eles, o proprietário do sítio -, o inquérito foi arquivado.Os outros 21 casos têm características semelhantes e envolvem garotos na faixa etária de 9 a 15 anos oriundos de famílias de baixa renda. A maioria das vítimas morava em duas cidades da Grande São Luís, Paço do Lumiar e São José de Ribamar, que ficam em áreas cercadas por matagais. Em geral, os meninos exerciam algum tipo de trabalho informal e tinham uma rotina pré-estabelecida."A polícia e a Justiça precisavam ser mais ágeis. Além de punir os culpados, as famílias querem uma resposta sobre os motivos dos crimes. Mesmo porque os órgãos genitais dos garotos nunca foram encontrados", complementa Loide Ferreira. As versões sobre os crimes, aponta o relatório, são as mais variadas possíveis: vão desde assassinatos em série até roubo de órgãos, passando por feitiçaria.Embora o caso do Maranhão tenha sido divulgado, este não é o único no País. Fatos semelhantes foram registrados outras regiões do País, como o Rio Grande do Sul, Campinas (interior de São Paulo), em Brasília e no Pará.

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