Entidade de juízes critica operação contra Lula

Nota da Associação Juízes para a Democracia, que não cita o nome do ex-presidente, diz não concordar com 'shows midiáticos promovidos em cumprimentos de ordens de prisão e de condução coercitiva'

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2016 | 16h59

BRASÍLIA - A Associação Juízes para a Democracia (AJD) criticou nesta segunda-feira, 7, o mandado de condução coercitiva aplicado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.

A nota, que não cita o nome de Lula, diz que “não se pode concordar com os shows midiáticos, promovidos em cumprimentos de ordens de prisão e de condução coercitiva” no âmbito da Operação Lava Jato.

O texto sustenta ainda que não se pode combater a corrupção desrespeitando o que determina a Constituição. “Vale, sempre, lembrar que ilegalidade não se combate com ilegalidade e, em consequência, a defesa do Estado Democrático de Direito não pode se dar às custas dos direitos e garantias fundamentais”, diz a associação.

Na última sexta-feira, o juiz Sérgio Moro autorizou a 24ª fase da Operação Lava Jato, que teve Lula como alvo. O fato de o ex-presidente ter sido alvo de um mandado de condução coercitiva gerou debate no meio jurídico. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, criticou publicamente a decisão.

Outras duas entidades da classe já se manifestaram a favor da operação. Para a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que tem Moro com um dos filiados, não houve abuso ou excesso nas medidas tomadas pela Justiça Federal. Já a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou documento em defesa do Poder Judiciário, sem fazer referência ao episódio envolvendo Lula.

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