Entidade condena assédio a repórteres após cobertura de protesto

Entidade condena assédio a repórteres após cobertura de protesto

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo cobrou punição a grupos que fizeram ameaças nas redes sociais a profissionais que acompanharam ato que pedia impeachment de Dilma

Redação, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 20h01



Em nota divulgada nesta segunda-feira, 3, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a "incitação à violência e o assédio" sofridos por jornalistas que trabalharam na cobertura de um protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, no sábado, 1º, na Avenida Paulista, em São Paulo. Parte dos manifestantes defendeu intervenção militar no País.

Os repórteres foram acusados de partidarismo por grupos que participaram do ato e expuseram os perfis dos profissionais em redes sociais, "levando-os a serem difamados e receberem ameaças de violência", diz o texto da Abraji.

A entidade acusa as ameaças de serem um "ataque direto à liberdade de expressão". "Ao criar um clima de hostilidade em relação ao trabalho da imprensa, atinge todos os profissionais e, em última instância, toda a sociedade", segue o texto.

"A Abraji condena toda e qualquer forma de violência contra jornalistas e cobra a rápida identificação e punição dos responsáveis pelo assédio e pelas ameaças contra os repórteres. A omissão nesse e em casos semelhantes coloca em risco o direito à informação, essencial a uma democracia plena."

Abaixo a íntegra da nota:

"Abraji repudia assédio a jornalistas que cobriram protesto no último sábado

A Abraji repudia a incitação à violência e o assédio contra repórteres encarregados da cobertura de manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorrida no último sábado (1.nov.2014). Grupos insatisfeitos com o resultado das eleições presidenciais acusam de partidarismo jornalistas que fazem seu trabalho e, com essa desculpa, expõem os perfis dos assediados em redes sociais, levando-os a serem difamados e receberem ameaças de violência.

É um ataque direto à liberdade de expressão - a mesma que garante a tais grupos o direito de protestar contra o que quiserem. Afeta não apenas os jornalistas em questão. Ao criar um clima de hostilidade em relação ao trabalho da imprensa, atinge todos os profissionais e, em última instância, toda a sociedade.

A Abraji condena toda e qualquer forma de violência contra jornalistas e cobra a rápida identificação e punição dos responsáveis pelo assédio e pelas ameaças contra os repórteres. A omissão nesse e em casos semelhantes coloca em risco o direito à informação, essencial a uma democracia plena."

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