Kathia Tanamaha/Estadão
Kathia Tanamaha/Estadão

Entenda por que Marta quer sair do PT

Em entrevista ao 'Estado' em janeiro, senadora atacou colegas de partido e disse: 'Ou o PT muda ou acaba'. Veja as principais declarações de Marta e entenda seu contexto político

O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2015 | 09h37

1.

Novidade do PT nas eleições de 1998 - quase foi ao 2º turno na disputa pelo governo de São Paulo -, venceu a eleição paulistana em 2000, mas fracassou na tentativa de reeleição em 2004. Daí em diante, passou a ser preterida nas disputas por cargos executivos. Perdeu a disputa interna pela candidatura ao governo paulista, em 2006, para Aloizio Mercadante, atual chefe da Casa Civil de Dilma. Quatro anos depois, Mercadante também foi o candidato escolhido e Marta foi concorrer ao Senado. Em 2012, o escolhido por Lula para disputar a Prefeitura de São Paulo foi Fernando Haddad. Em 2014, o escolhido por Lula para disputar o governo do Estado foi Alexandre Padilha. 

O que Marta disse ao 'Estado': "Na campanha da Dilma e do (Alexandre) Padilha em São Paulo, fui totalmente alijada. Quando Padilha me ligou pedindo para eu gravar, disse: 'Ô Padilha, entenda. Eu não sou mais objeto utilitário, acabou essa minha função no PT"

2.

 

A petista ambicionava ir longe após comandar São Paulo, a maior capital do País, mesmo não tendo sido reeleita. E não escondia suas intenções de aliados próximos: o Palácio do Planalto era mesmo seu principal objetivo. Ministra do Turismo no governo Lula - quando aconselhou os passageiros que sofriam com o caos aéreo em 2007 a "relaxar e gozar" -, ela acabou vendo uma colega de Esplanada ser escolhida pelo então presidente: Dilma Rousseff começou o governo na pasta de Minas e Energia e foi levada para a Casa Civil sob o epíteto de "mãe do PAC". 

O que Marta disse ao 'Estado': "Quando era neófita, tinha clareza de que poderia ser presidente. Depois, isso caiu por terra, até que um dia o Lula, no avião dele, quando era presidente, me disse: 'Minha sucessora vai ser uma mulher'. E pensei que ou seria eu, ou Marina (Silva) ou Dilma. Logo vi aquela história de 'mãe do PAC' e que era a Dilma. Pensei: 'O que faço?' Bom, ou ficava contra e não fazia coisa nenhuma, ou ajudava. Mais uma vez, decidi ajudar. Sempre achei que ia acabar ficando meio de fora das coisas, talvez pela origem, talvez por ser loura de olho azul, não sei."

3.

Quando prefeita de São Paulo, formou um grupo dentro do PT que tinha como base o hoje desafeto Rui Falcão e os irmãos Tatto, políticos que mantêm forte influência no eleitorado da zona sul paulistana e passaram, aos poucos, a obter cada vez mais espaço no partido. Mas, sem disputar cargos executivos de destaque, acabou vendo esse grupo se diluir e ganhar cada vez mais autonomia. Hoje, trata Rui Falcão, presidente nacional do PT, como um desafeto. 

O que Marta disse ao 'Estado': "Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas. É um partido cada vez mais isolado, que luta pela manutenção no poder (...). Rui traiu o partido e o projeto do PT, e o partido se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o País, mesmo sabendo as limitações da Dilma." 

 

 

4.

Aos 69 anos - completará 70 no dia 18 de março -, está cada vez mais distante de voltar a disputar um cargo executivo pelo PT. A Prefeitura de São Paulo, seu objetivo imediato, já é administrada por um petista, Fernando Haddad, que deve ser candidato à reeleição em 2016. Dessa maneira, a única forma que ela tem de voltar ao jogo é deixando o PT e se filiando a outro partido político.

O que Marta disse ao 'Estado': "Não será uma decisão em função de uma possível disputa à Prefeitura, por isso é tão dura. É uma decisão duríssima de quem acreditou tanto, de quem engoliu tanto."

5.

 

O Ministério da Cultura no governo Dilma foi uma espécie de prêmio de consolação após ela ver Fernando Haddad ser escolhido para ser candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012. Marta, porém, não é "da turma da Dilma". A presidente, inclusive, tem como um de seus aliados mais próximos justamente Aloizio Mercadante, principal desafeto de Marta dentro do PT. 

O que Marta disse ao 'Estado': "Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato (à Presidência em 2018). Ele é candidatíssimo. Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas. Mas ele já era o homem forte do governo. Logo, todas as trapalhadas que ocorreram antes ocorrem agora e ocorrerão depois terão a digital dele." 

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