Entenda o processo do deputado João Paulo Cunha

O ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), é acusado de sacar R$ 50 mil da conta do publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do caixa 2 do PT. Segundo documentos do Banco Rural recebidos pela CPI dos Correios, a mulher de João Paulo, Márcia Milanésio Cunha, sacou o dinheiro da conta da agência de publicidade SMPB, em 4 de setembro de 2003, mas este dinheiro nunca foi registrado nas contas do PT.Inicialmente, o deputado havia dito que sua mulher foi ao Rural para pagar uma conta referente a serviços de TV a cabo.Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, no dia 24 de novembro de 2005, o deputado petista disse não saber que os recursos vinham da empresa de Marcos Valério. Segundo ele, o dinheiro teria sido usado para pagar quatro pesquisas eleitorais na região de Osasco e a operação teria sido feita com o conhecimento do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.O deputado disse que acreditava estar recebendo recursos ?da tesouraria nacional do PT? e não da SMPB. Ele disse que pediu o dinheiro para Delúbio Soares, que o orientou a fazer o saque na agência de Brasília do Banco Rural. Lá, sua mulher recebeu o dinheiro e assinou recibo de que descontara cheque da SMPB. O relator Cezar Schirmer levantou suspeitas sobre três notas fiscais, emitidas em nome de João Paulo, pelo instituto DataVale. As notas atestam pagamentos que somam R$ 51 mil e, apesar de terem datas diferentes, o relator apontou que todas têm números seqüenciados: 151, 152 e 153. ?Ou esta empresa, por quatro meses, só fez estes três trabalhos ou houve sonegação fiscal", disse Schirmer durante o depoimento.João Paulo disse que não sabe explicar os números seqüenciados e que não foi ele quem contratou as pesquisas, mas providenciou os recursos para pagá-las e não prestou contas ao PT. ?Não dei a devida atenção ao comprovante fiscal na ocasião. Prestei contas oralmente, quando comentei no partido os resultados das pesquisas.? A suspeita é de que as notas tenham sido providenciadas de última hora, depois que estourou o escândalo do mensalão.

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