Entenda o caso envolvendo Zoghbi, ex-diretor do Senado

da Redação

05 de maio de 2009 | 17h21

O ex-diretor de Recursos Humanos José Carlos Zoghbi está no centro do mais novo escândalo envolvendo o Senado Federal. Após denúncia de que ele teria cedido um apartamento funcional para o seu filho, ele foi acusado de criar três prestadoras de serviços de fachada – em nome de Maria Izabel Gomes, de 83 anos, sua ex-babá – para receber irregularmente de empresas que faziam negócios com a Casa e de bancos que operavam crédito consignado. 

 

 

Confira abaixo a cronologia dos principais episódios do caso:

 

Março 2009- Apartamento funcional

 

João Carlos Zoghbi foi exonerado da diretoria de Recursos Humanos do Senado após denúncia feita pelo jornal Correio Braziliense, apontando que ele supostamente cedeu um imóvel funcional da Casa, a que teria direito, para que um filho o utilizasse. Zoghbi negou as acusações.

 

23/abril/2009- Passagens aéreas

 

Pelo menos 42 bilhetes aéreos que faziam parte da cota dos deputados foram emitidos em favor do ex-diretor, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco. As passagens foram compradas por meio do crédito de 12 deputados, mas todos negam ter autorizado tal emissão e garantem que sequer conhecem o ex-diretor.

 

24/Abril/2009- Denúncia: Empresas de fachada

 

A revista Época publica reportagem em que acusa o então diretor do Senado José Carlos Zoghbi de ter criado três empresas de fachada em nome de Maria Izabel Gomes, de 83 anos, sua ama-de-leite, para receber irregularmente de bancos autorizados a operar com servidores do Senado empréstimos consignados. Ele teria orientado funcionários a optar pelo Banco Cruzeiro do Sul na hora de buscar crédito.

 

Boa parte do dinheiro - cerca de R$ 2,3 milhões - teria sido repassada pelo Banco Cruzeiro do Sul, como comissão a Zoghbi pela indicação. O banco divulgou nota negando a acusação e destacando a "idoneidade e regularidade de suas operações". Zoghbi também nega as acusações.

 

Para aumentar o número de servidores do Senado com capacidade de fazer empréstimos e engordar seu negócio, o ex-diretor autorizava o endividamento acima dos 30% do rendimento, contrariando ato do próprio Senado.

 

30/04/2009- Investigação e aposentadoria

 

O ex-diretor é alvo de um inquérito aberto pela Polícia Legislativa do Senado. Para sair do noticiário e assim tentar escapar da demissão, o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado pediu aposentadoria. Mesmo aposentado, Zoghbi não sai da mira das investigações.

 

Também nesta data, a presidência do Senado suspendeu operações de crédito consignado com o Banco Cruzeiro do Sul, que oferece serviços financeiros aos servidores da Casa.

 

02/05/2009-  Acusações

 

Em entrevista à revista Época, o casal João Carlos e Denise Zoghbi afirmou que o ex-diretor Agaciel Maia é sócio de todas as empresas terceirizadas que têm contrato com o Senado e insinuou o envolvimento dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e Efraim Morais (DEM-PB) no esquema de corrupção. Os dois senadores negam as acusações e dizem que Zoghbi não tem provas.

 

Também no Senado é comandada uma operação abafa do caso. Por determinação de José Sarney (PMDB-AP), a apuração das denúncias seria feita pela Polícia Legislativa. Nem a Polícia Federal nem o Ministério Público fariam parte das investigações.

 

4/05/2009- Auditoria do BC

 

O Banco Central (BC) foi acionado pela Corregedoria-Geral do Senado para abrir auditoria que apure a movimentação financeira de bancos que ofereceram empréstimos consignados aos servidores da Casa durante a gestão do ex-diretor.

 

BC vai examinar se financiamentos feitos a servidores durante a gestão de Zoghbi ultrapassaram o porcentual limite de 30% do salário, como estipula o regimento interno da Casa.

 

05/05/2009- Sarney quer investigação contra Zoghbi

 

O presidente do Senado, José Sarney, voltou atrás e acionou o corregedor-geral da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), para que o Ministério Público participe das investigações de supostas irregularidades nas operações de concessão de empréstimos consignados no Senado.

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