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Entenda as crises e demissões na Apex

Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos tem três presidentes em menos de cinco meses; órgão é alvo de disputa entre alas do governo

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 11h00

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), órgão estratégico para atrair investimentos estrangeiros e promover produtos e serviços brasileiros no exterior, vive um período conturbado desde os primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro. Em pouco menos de quatro meses, a agência já está com seu terceiro presidente, o militar Sergio Segovia. A agência é alvo de disputa entre a ala dos militares e dos seguidores do escritor Olavo de Carvalho

Entenda, abaixo, as crises na Apex: 

O início da crise: cai o presidente

Os problemas começaram com a nomeação e rápida demissão de Alex Carreiro. Logo nos primeiros dias de sua gestão, Carreiro promoveu demissões e causou descontentamento por não ter experiência anterior com promoção comercial. Nos corredores da Apex, dizia-se que ele não tinha domínio do inglês, requisito fundamental para o cargo. 

O chanceler Ernesto Araújo chegou a anunciar no Twitter que o presidente da Apex havia renunciado. Mas Carreiro disse que só Bolsonaro podia demiti-lo e foi trabalhar normalmente. Em 11 de janeiro, o presidente anunciou o afastamento

Para o posto, o escolhido foi o embaixador Mario Vilalva, diplomata de carreira. No Itamaraty desde 1976, ele trabalhou nas Embaixadas do Brasil nos Estados Unidos, África do Sul, Itália, Portugal e no Chile. 

Mudança do estatuto, 'golpe' e queda do segundo presidente 

Após pouco mais de três meses no cargo, uma mudança no estatuto da agência, que foi registrada em cartório e realizada pelo ministro Ernesto Araújo, foi um dos motivos que culminaram com a saída de Mario Vilalva, que não foi avisado das alterações. O documento esvaziava os poderes do presidente, aliado de militares, e fortalecia a então diretora de negócios, Letícia Catelani, e o diretor de gestão, Márcio Coimbra, ambos próximos a Araújo. Na época, o Estado apurou que Vilalva era "emparedado" pelos dois nas decisões internas. 

“Não compreendo esse tipo de postura por parte do ministro (Ernesto Araújo), esse tipo de atitude que eu considero mais um golpe, de fazer na calada da noite uma modificação profunda no estatuto para me tirar poderes e dar esse poder para pessoas que não estão preparadas”, disse ao Estado na época. Segundo ele, Araújo chegou a oferecer-lhe “postos maravilhosos no exterior” para que ele deixasse o cargo. “Eu não estou à venda, não estou aqui para amanhã ser comprado”, disse. Ele deixou o cargo em 9 de abril. 

No 5º mês, novo presidente e saída de dois diretores

Após ficar semanas sem presidente, o governo indicou para a chefia da Apex o contra-almirante da Marinha Sergio Segovia, que atuou em diversas áreas do órgão. Ele era subchefe de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa e, como uma de suas primeiras medidas, decidiu destituir Leticia Catelani, que era diretora de negócios da Apex. Marcio Coimbra também deixou a Apex. 

Em suas redes sociais, Catelani publicou que sofreu pressão do governo de Jair Bolsonaro pela manutenção de "contratos espúrios". "Estou pagando o preço. Sofri pressão de dentro do governo pela manutenção de contratos espúrios, além de ameaças e difamações. Não me intimidei! Gratidão pelo apoio e o movimento", escreveu em seu Twitter

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