Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos

Revista publicou reportagem que mostra conversa entre senador e presidente do STF grampeada ilegalmente

da Redação

01 de setembro de 2008 | 18h46

Reportagem da revista Veja acusa a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de grampear o presidente do STF, ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, políticos do governo e da oposição, com base em informações de um servidor anônimo da agência. A publicação traz um diálogo entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), em 15 de julho. Conforme a revista, os ministros de Relações Institucionais, José Múcio, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teriam sido grampeados.   O escândalo resultou no afastamento temporário do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, e seus subordinados. Por meio de seu porta-voz, o STF informou que o conselho de ministros "decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos".    A crise do grampo acirrou a disputa entre a Polícia Federal e a Abin. O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu que o grampo pode ter sido feito ilegalmente por arapongas da agência e assumiu a defesa da PF. Tarso foi duro com a Abin. Disse que a agência "não poderá sonegar informação" no inquérito sobre o grampo, sob pena de ficar com a pecha da espionagem.   Uma das hipóteses que será investigada é de que os grampos nos telefones de Mendes teriam sido feitos no rastro da Operação Satiagraha, que em julho alvejou o banqueiro Daniel Dantas, preso duas vezes. O presidente do STF foi quem concedeu os dois habeas-corpus que tiraram Dantas da prisão.   Agentes da Abin ligados a Lacerda e ao delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha e foi afastado do caso, estariam desconfiados da proximidade entre Dantas e o presidente do STF. Na época, a Abin entrou na operação à revelia do diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa.   Ainda sobre os grampos, do ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou a Lula que o Exército adquiriu "maletas" por cerca de US$ 20 mil cada que possibilitam interceptações telefônicas. Suspeita é de que equipamentos podem ter sido usados para grampear presidente do STF sem deixar ratros. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, argumentou que o equipamento não era usado para grampear telefonemas, mas sim para interceptar grampos. E pediu perícia.   A Abin encontra-se agora no epicentro de várias denúncias e sob a mira das instituições atingidas. Independentemente de ter ou não participação no recente episódio de escutas ilegais, há na agência uma briga cristalizada. O setor de operações, coração do serviço secreto e área responsável pelas investigações da instituição, é alvo de disputas entre diversos grupos.   Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Lacerda assumiu a diretoria-geral da Abin no ano passado com a incumbência de exercer mais controle sobre ela. De lá para cá, a agência já foi envolvida em dois casos rumorosos. No primeiro, por ocasião da operação Satiagraha, Lacerda negou o uso de grampos para contribuir com a Polícia Federal. Agora, o tema de escuta ilegal volta à berlinda. Legalmente, a Abin não tem prerrogativa de operar com escutas ilegais.   Por conta da reportagem de Veja, a agência abriu sindicância interna. O Ministério Público e a Polícia Federal também apuram o caso.   (Com Reuters e O Estado de S. Paulo)

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