Entenda a polêmica do Real Grandeza, o Fundo de Furnas

O Real Grandeza - o fundo de pensão de Furnas - está no centro de uma disputa por cargos dentro PMDB. Posicionado como o 11º entre os maiores fundos de pensão, com um patrimônio de R$ 6,3 bilhões, 6.858 participantes aposentados e 5.648 ativos, com 23.356 dependentes, ele desperta o interesse partidário.  O PMDB recebeu Furnas em 2007 como parte do dote do governo federal, em troca de apoio político no Congresso. Desde então, teria intenção de substituir a diretoria do Real Grandeza. É o quinto maior fundo do serviço público federal, perde apenas para Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Centrus (Banco Central). Além de Minas e Energia, o PMDB comanda mais cinco ministérios do governo Lula. O fundo de Furnas tem patrimônio maior que de muitas pastas, como a do ministério de Comunicação (R$ 5,7 bi) Cultura (R$ 1,3 bi), Turismo (R$ 3 bi), Esporte (R$ 1,4 bi) e Meio Ambiente (R$ 3,4 bi).  Alegando problemas de relacionamento entre diretorias da empresa e o fundo por ela patrocinado, a diretoria da estatal pressiona para que sejam demitidos o presidente do Fundo Real Grandeza, Sérgio Ferraz Pontes, e o diretor de investimentos, Ricardo Gurgel. Furnas é comandada por Carlos Nadalutti - indicado do PMDB. Antes de Nadalutti, Luiz Paulo Conde era o indicado do PMDB da vez e, por duas vezes, tentou afastar o presidente do Real Grandeza e Gurgel.  Sem botar a mão no fundo de pensão, o PMDB sente-se na condição de quem "ganhou, mas não levou" e, por isso, tenta abrir espaço para nomes indicados por Lobão e pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nadalutti comunicou em carta aos funcionários da empresa que a exoneração do presidente da fundação, Sérgio Wilson Fontes, bem como de seu diretor financeiro, Ricardo Gurgel, seguia uma "orientação" do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). Os funcionários de Furnas se revoltaram e paralisaram por 24 horas as atividades em protesto.  Para os manifestantes, o presidente da fundação, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, e o diretor financeiro, Ricardo Gurgel Nogueira, deveriam concluir o mandato, até outubro. Escolhidos em 2005, assumiram em condições desfavoráveis, após a fundação ter perdido R$ 153 milhões com aplicações no falido Banco Santos e apenas R$ 2 milhões de superávit atuarial. De lá pá cá, a fundação acumulou rentabilidade de 81% sobre o patrimônio, ante exigência atuarial de 40%, e o superávit atingiu R$ 1,2 bilhão, o que levou Fontes a ser escolhido dirigente de fundo de pensão do ano pela Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar(Abrapp)em 2008. No Rio, o conselho deliberativo do fundo de pensão derrubou a tentativa de troca no comando da instituição com base em uma questão técnica. Mas as pretensões de Lobão e do PMDB também receberam um veto político, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. Mensalão O Real Grandeza teve toda a diretoria destituída em setembro de 2005, por seu suposto envolvimento nos escândalos apontados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão. Com aplicações temerárias via instituições de segunda linha, o fundo deu prejuízo estimado em R$ 150 milhões aos seus contribuintes, com investimentos no Banco Santos.  A CPI dos Correios indicou que o prejuízo nas aplicações era proposital e que parte dos supostos lucros auferidos por especuladores do esquema era desviado para financiar o mensalão, espécie de mesada paga a partidos e parlamentares da base aliada no primeiro mandato do governo Lula.

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