Entenda a disputa pelas presidências do Senado e Câmara

As presidências da Câmara e do Senado asseguram ao político, entre outras vantagens, poder de decisão, projeção e visibilidade na mídia. As eleições este ano estão marcadas para segunda-feira, dia 2 de fevereiro.                           Entenda por que os cargos são tão disputados pelos parlamentares     Por que as presidências da Câmara e Senado são disputadas?   O presidente da Câmara é o segundo na linha de sucessão da Presidência da República, atrás apenas do vice. O presidente do Senado é o quarto. O cargo também garante grande influência sobre quais projetos serão analisados e votados. Quem chega à presidência, também ganha projeção política e visibilidade diária na mídia, o que ajuda a levantar votos para futuras eleições.   O presidente da Câmara decide ainda sobre a abertura de processo de impeachment contra o presidente da República. O cargo também garante algumas vantagens, como casa oficial, carro oficial com motorista particular e jato da Força Aérea Brasileira (FAB) à sua disposição.   O presidente do Senado também tem vantagens como o da Câmara. Ainda tem o poder de instalar e arquivar pedidos de CPIs.   Qual o Orçamento que os presidentes terão em mãos?   Um Orçamento de R$ 6,27 bilhões - próximo ao de um Estado do porte do Rio Grande do Norte -, daí a grande disputa pelo cargo. Juntos, Senado e Câmara têm mais de 20 mil funcionários, hospitais, gráfica, TVs, rádios e centros de informática.   Os eleitos terão ainda o livre arbítrio de mexer ou não na gigante estrutura administrativa das duas Casas, que, se bem montada, lhes será fiel por muito tempo, até mesmo depois de deixarem o poder   Quando serão as eleições e quem são os candidatos?   As eleições serão no dia 2 de fevereiro. No Senado, os candidatos são Tião Viana (PT- AC) e José Sarney (PMDB-AP). Na Câmara, disputam Michel Temer (PMDB-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), que lançou candidatura alternativa.   Quem são os favoritos?   Michel Temer e José Sarney. Além do próprio PMDB, Temer conta com o apoio do PT, PSC, PTB, PV, PSDB, PPS, DEM, PT do B, PRB e PHS. José Sarney, que já foi presidente da República, entrou na disputa após conversa com o presidente Lula. Ele havia adotado o discurso de que não disputaria o comando da Casa- ao menos que seu nome fosse consenso.   Embora Temer esteja confiante na vitória folgada com pelo menos 300 votos (o mínimo necessário são 257), seus adversários contabilizam o ganho de uma centena de votos com o "efeito Sarney".   O que aconteceu antes de Sarney confirmar a candidatura?   Antes dele, o nome do PMDB no Senado era o atual presidente, Garibaldi Alves. Inclusive, irritado com a movimentação do senador, Garibaldi chegou a fechar um acordo de procedimento com Viana, pelo qual iriam confirmar em nota suas candidaturas. Um pouco depois do "acordo", Garibaldi anunciou que desistiu da candidatura quando Sarney confirmou a sua e negou se sentir traído.   Como são as votações e de quantos votos cada um precisa?   Pelo critério da proporcionalidade, os partidos com maior bancada são os que presidem as Casas. No caso, o PMDB. Mas quando há mais de um candidato, como agora, quem ganhar a eleição é o presidente.   Na Câmara, a votação é secreta e realizada pelo sistema eletrônico. Para que o deputado chegue à presidência, são necessários 257 votos, o que equivale à metade mais um dos 513 deputados. Se nenhum dos candidatos atingir esse número, haverá segundo turno, com os dois mais votados. Ganha quem conseguir metade de um quórum mínimo de 257 parlamentares.   As eleições para a presidência do Senado também são feitas em votação secreta e, com apenas dois candidatos, leva quem tiver maioria de votos: 41 senadores. O Senado tem 81 parlamentares.     Qual a polêmica destas eleições?   A polêmica é a seguinte: com o lançamento de um peemedebista no Senado, José Sarney, o partido não cumpre o que ficou acertado quando Arlindo Chinaglia foi eleito na Câmara, em 2007.   O que é o "acordo" entre PT e PMDB?   Em 2007, ficou acordado o seguinte: o PT indicaria o presidente do Senado em 2009 e o PMDB apoiaria; Na Câmara, o PMDB indicaria o presidente neste ano e o PT apoiaria. Na Casa dos deputados, o pacto foi acatado- o partido do presidente Lula oficializou apoio a Temer e não lançou candidato próprio. Mas o PMDB do Senado, amparado pelo fato de ser a maior bancada, resolveu descumprir o acordo e lançou José Sarney.   O que pensam os outros partidos?   É grande a resistência de petistas e pedetistas a entregar o comando das duas Casas do Congresso a uma única legenda. Parlamentares dos dois partidos recusam-se a fortalecer o grupo de Sarney e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente da Casa. Os petistas responsabilizam Renan pelo lançamento "surpresa e fora de hora" do peemedebista. Estão empenhados em derrotar Sarney não só para dar vitória a Viana como para não dar força ao senador alagoano.   Qual o papel da oposição na disputa do Senado?   Os 26 votos do PSDB e do DEM são os principais alvos dos dois candidatos. Em uma reviravolta surpreendente no Senado, o PSDB decidiu ontem à noite dar o apoio e o voto de seus 13 senadores ao candidato do PT a presidente da Casa, Tião Viana (AC).   Os tucanos reivindicam duas posições na Mesa Diretora - a primeira vice-presidência e a quarta secretaria, além das presidências das comissões de Assuntos Econômicos e Relações Exteriores. Segundo peemedebistas, o pleito ultrapassa a quota de poder que as regras regimentais reservam ao PSDB, definida de acordo com o tamanho de cada bancada no Senado.   O DEM optou, por unanimidade, pela candidatura do senador Sarney à presidência do Senado. A decisão foi tomada a portas fechadas por 11 dos 14 senadores da bancada. O líder do partido, José Agripino (RN), atribuiu a escolha à "certeza" de que Sarney se aliará ao Congresso, no caso de impasse com o governo.   Texto atualizado na sexta-feira, dia 30, às 14h15

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