Dida Sampaio/Estadão
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Enquanto seu lobo e a terceira via não vêm, o risco é debandada para Bolsonaro, não Lula

Sem Simone para segurar o MDB e sem Moro na jogada, a maioria dos aliados e dos votos deles não vai para o petista e pode ir para o capitão

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2022 | 05h00

O União Brasil quer fugir de Jair Bolsonaro no primeiro turno, o MDB não quer ser só mais um no Centrão e o PSDB... bem, o PSDB se debate para se manter à tona, jogado para um lado e para o outro por Bolsonaro, o ex-presidente Lula e as próprias divisões internas. O Cidadania tenta evitar que todos afundem.

É óbvio que superestimaram a importância do jantar de Lula com senadores em Brasília no início da semana. Ali não teve nada demais. Nem novidade. Quem estava com Lula continuou com Lula, quem não estava continuou não estando.

O MDB tem 12 senadores e nem metade estava lá, na mansão do ex-senador e ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE). Ele e o senador Renan Calheiros (AL) são lulistas de outros carnavais. O apoio deles não muda nada.

Além disso, são oito deputados federais do MDB nos nove Estados do Nordeste, que tende para Lula, e nove só nos três Estados do Sul, onde, sem candidatura própria, a debandada seria para o outro lado – Bolsonaro. Alagoas, de Renan, tem 14 votos na convenção nacional do MDB e o Rio Grande do Sul, 44.

Logo, não é inteligente atacar a senadora Simone Tebet agora, como já não foi bombardear o ex-juiz Sérgio Moro. Sem Simone para segurar o MDB e sem Moro na jogada, a maioria dos aliados e dos votos deles não vai para o petista e pode ir para o capitão.

Assim, o MDB de 14 Estados, suas frentes (jovem, mulher, afro...) e associações de prefeitos e vereadores reafirmam apoio a Simone. Ruim com ela, pior sem ela. Com ela, o risco é repetir o fiasco de Henrique Meirelles em 2018. Sem, o partido perde assento no centro e se embola com o Centrão – e Bolsonaro. Mais: como Meirelles, ela não tira dinheiro dos candidatos, pois tem o fundo eleitoral das mulheres.

O União Brasil nasceu de uma fusão artificial de DEM e PSL, embalado pelos interesses de seus caciques, e tem problemas de crescimento. Atraiu Moro do Podemos para o limbo e lançou Luciano Bivar para nada. Você não está entendendo nada? Nem eles entendem. Aliás, não se entendem.

E no PSDB, João Doria quer entrar no vácuo das desistências (de Moro, por exemplo) para encostar em Ciro Gomes (PDT) no terceiro lugar – como aponta a pesquisa do Poder 360 – e demonstrar fôlego, reduzindo a rejeição. Eduardo Leite está à espreita.

Enquanto seu lobo e o nome da terceira via não vêm, o maior adversário de Lula e Bolsonaro é a alta rejeição e uma coisa é óbvia, inclusive para os petistas: a campanha do capitão é muito mais eficiente do que a do petista. Ainda vamos ter muita emoção. E muito medo!

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