GABRIELA BILO/ ESTADAO
GABRIELA BILO/ ESTADAO

Enquanto PT governar SP e o País, boliviano será tratado como brasileiro, diz Lula

Ex-presidente exalta governo de Evo Morales e sai em defesa de integração latinoamericana em festa da comunidade boliviana na capital paulista

JOSÉ ROBERTO CASTRO E RICARDO CHAPOLA, Estadão Conteúdo

24 de janeiro de 2015 | 17h05

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, 24, o fortalecimento das relações do Brasil com a Bolívia, os países do Mercosul e também na Unasul. Segundo petista, é preciso construir uma "nação latino-americana forte". 

"A integração é um sonho que ainda não é fácil de realizar, porque tem muitos obstáculos. A relação da Bolívia com o Brasil tem que ser cada vez mais fortalecida. A relação do Brasil com o Mercosul e com a Unasul também", afirmou Lula ao discursar durante a III Feira de Alasita, promovida pela comunidade boliviana de São Paulo, no centro da capital paulista. 

"E aí nós vamos construir uma nação latino-americana forte, com um povo vivendo em harmonia, trabalhando, estudando e tendo acesso à cultura". 

Lula também exaltou o presidente da Bolívia, Evo Morales, empossado na quinta-feira passada. Segundo o petista, Morales "consolidou a paz" no país. "Conheço a Bolívia antes do Evo (Morales), conheço a Bolívia depois do Evo. Ele conseguiu consolidar a harmonia na Bolívia", disse Lula, aclamado pelo público que assistia ao discurso embaixo de chuva. 

O ex-presidente se disse feliz não somente pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, como também pela de Morales. "Não apenas a vitória da presidenta Dilma aqui no Brasil me deixou alegre, me deixou alegre o Evo ser o presidente mais bem votado da história da Bolívia. É importante a gente aqui gritar muito alto: 'Viva, Evo Morales'", gritou Lula, sendo respondido pelo público.

O petista elogiou o trabalho do correligionário Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, e Rogério Sottili, secretário municipal de Direitos Humanos que será substituído por Eduardo Suplicy. "Enquanto o PT governar (a cidade de) São Paulo e o Brasil, boliviano será tratado como brasileiro", disse Lula, mais uma vez muito aplaudido pela plateia. 

Ao assumir o microfone, o deputado estadual eleito, José Américo (PT-SP), afirmou que o preconceito das elites impede a integração sugerida por Lula. "Só o preconceito das elites das Américas impede uma integração ainda maior", afirmou o petista. 

Antes de subir no pequeno palanque montado na feira, Lula foi anunciado pelo apresentador boliviano como "o imigrante mais famoso do Brasil" e "pai da integração social da América Latina". 

Depois do discurso do ex-presidente, a plateia, incitada pelo apresentador, puxou o coro "aqui vivo, aqui voto", protesto da comunidade boliviana pelo direito ao voto no Brasil. 

Lula se recusou a falar com a imprensa durante o tempo em que esteve no Parque Dom Pedro II. Em todas as tentativas dos jornalistas, Lula se esquivou. "O Haddad vai chegar, vocês perguntem pro Haddad. Ele é que é autoridade municipal", disse o presidente em tom de brincadeira. 

Em visita tumultuada de pouco mais de uma hora à feira, o ex-presidente posou para muitas fotos com bolivianos empunhando bandeiras do país e experimentou a saltenha, uma espécie de pastel típico da Bolívia. Depois de comer, Lula ganhou uma caixa cheia de saltenhas para levar para casa. 

Tudo o que sabemos sobre:
LulaBolívia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.