Enquanto isso, na Assembleia Legislativa... Amenidades na volta do recesso

Se no Senado a semana pegou fogo, com trocas de acusações entre os nobres colegas e as vossas excelências, a volta do recesso na Assembleia Legislativa de São Paulo não soltou faísca alguma. Noventa e três dos 94 deputados estaduais retornaram ao Palácio 9 de Julho para cumprir o expediente - o presidente, Barros Munhoz (PSDB), homem forte do governador na Casa, pediu licença médica até hoje, depois de detectar uma endocardite ao fazer exames para cirurgia de redução do estômago.O ritmo das sessões em plenário foi sonolento. Algumas comissões se reuniram, emendas foram elaboradas, a CPI dos Cursos de Medicina ouviu a reitora de uma faculdade, um manifesto pelo desarmamento nuclear foi realizado...Não se cogitou adiar a volta do recesso por conta da gripe suína. Afinal, os deputados não precisavam temer aglomerações: o plenário esteve vazio de segunda a sexta. O "pequeno expediente", em que os parlamentares se revezam em discursos de cinco minutos, e o "grande expediente", com falas de longos dez minutos, foram dirigidos pelo presidente interino Conte Lopes (PTB). Já na segunda-feira, ele ditou o que seria o passo da semana e, quiçá, do segundo semestre: "Ah, agora começa o ano eleitoral", lembra Lopes em seu gabinete, com a mão sobre um DVD do filme Rota Comando, baseado em seu livro Matar ou Morrer e no qual faz uma participação. "Como vice, não nomeio ninguém, não assino nada. Vou aguardar o presidente Munhoz", justifica-se.O líder da bancada do PT, Rui Falcão, insistiu diariamente na convocação de partidos da base do governo Serra - mas que, em âmbito federal, apoiam Lula - a formar um bloco de oposição ao governador tucano. A grande expectativa era de que o PSB, o mais assediado, por ser o partido de Ciro Gomes, possível candidato de Lula ao governo de São Paulo, se manifestasse. Mas quando Jonas Donizette, vice-líder do governo e ex-líder da bancada do PSB, subiu ao púlpito, foi para falar da Campanha Permanente de Arborização. Há 838 proposições na ordem do dia e nenhuma foi discutida.É de se perguntar por que os deputados vão empolgadamente à tribuna discursar, se os nobres colegas estão ausentes de corpo ou espírito na maior parte do tempo. Pode-se deduzir que seja para as câmeras da TV Alesp, que, por sinal, não tem sua audiência medida pelo Ibope. Ou talvez seja para registro no Diário Oficial. Já os parlamentares da área de segurança, e são vários, têm nos policiais militares que vigiam a Casa uma audiência fiel. Na terça-feira, Conte Lopes e Major Olímpio (sem partido) falaram bastante de segurança.Aldo Demarchi (DEM)prometeu "depoimento histórico", mas ficou num registro histórico, literalmente, ao lembrar que 2 de julho foi o Dia do Bombeiro.As sessões amornavam um pouco quando o tucano Milton Flávio subia à tribuna. Ele desafiou os petistas a comparar o governo estadual ao federal e garantiu que Serra ganharia sempre. Flávio criticou o fato de o PT estar em campanha por Dilma Rousseff. Crítica devolvida por Rui Falcão. Nada de bate-boca. Todos se confraternizavam em seguida.

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.