AGENCIA PETROBRAS
AGENCIA PETROBRAS

Engenheiro diz que Dilma foi avisada sobre Pasadena

Funcionário da Petrobrás afirma, segundo a revista ‘Veja’, que a presidente foi informada das irregularidades na compra da refinaria

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 21h35

O engenheiro Otávio Pessoa Cintra afirma, de acordo com a revista Veja, que a presidente Dilma Rousseff foi avisada sobre as irregularidades na compra da refinaria de Pasadena (EUA). Ele ocupou o cargo de gerente da Petrobrás América, braço da estatal com sede em Houston, no Texas, e ainda é funcionário da Petrobrás.

“No segundo semestre de 2005, tive um encontro com o deputado (ex-deputado federal do PT do Rio) Jorge Bittar. Eu falei: ‘Deputado, tem irregularidade na compra de Pasadena. Meia dúzia de suspeitos estão envolvidos nessa negociação’. Quem intermediou o encontro no gabinete do deputado, no Edifício Di Paoli, no Rio, foi meu amigo, o Paulo César Araújo, que trabalhava com o Bittar. O Bittar, então, levou o assunto à (então) ministra da Casa Civil da Presidência da República (Dilma) e ao (então) presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli”, afirma Cintra, em entrevista publicada ontem no site de Veja.

Em dezembro de 2014, o Estado publicou reportagem na qual mostrava que uma testemunha secreta procurou os delegados federais da força-tarefa da Operação Lava Jato para denunciar indícios de crimes e “má gestão proposital” na estatal “com o objetivo de desviar dinheiro sem levantar suspeita em auditorias e fiscalizações”. Na ocasião, ele apontou fraudes na compra da refinaria de Pasadena, investigada pelas autoridades da Lava Jato.

Essa testemunha secreta era Cintra. Ele afirmou à revista Veja ter certeza de que Dilma foi avisada das irregularidades. “O Paulo César, assessor do Bittar, me confirmou. Quando estourou a Operação Lava Jato, tivemos outro encontro, em 2014, no mesmo Edifício Di Paoli. O Paulo falou: ‘O pior é que sua denúncia foi levada à Casa Civil e ao Gabrielli’. A Dilma e o Gabrielli sabiam. O Bittar foi à Casa Civil e ao Gabrielli. Eu só tomei conhecimento agora em 2014 que a Dilma sabia de tudo”, disse.

Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró afirmou que a compra da refinaria rendeu propina para os envolvidos no negócio. O senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) também confirmou em delação as irregularidades na compra da refinaria e citou Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme revelou o Estado em março de 2014, a presidente deu aval para a compra da primeira metade da refinaria, em 2006. Ao jornal, ela justificou que o então diretor da Petrobrás Cerveró omitiu cláusulas prejudiciais do contrato. Do contrário, alegou, vetaria o negócio, hoje considerado um dos piores já feitos pela Petrobrás – o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que houve prejuízo de US$ 792 milhões.

Lula. Cintra também disse ter tentado avisar Lula. “Em uma cerimônia (no Chile), salvo engano em 2013, um representante do Itamaraty me colocou sentado ao lado dele, e me apresentou como funcionário da Petrobrás. Pensei em aproveitar a oportunidade e falar com o ex-presidente, mas não foi possível. O ex-presidente tinha bebido um pouco de uísque, me olhou, deu um tapa forte no meu peito e disse, sorrindo: ‘Petrobraaasssss’. Aí todo mundo riu, mas não teve jeito de conversar com ele.”

Ainda de acordo com Cintra, ele foi perseguido na estatal depois ter feito a denúncia a Gabrielli e teme pela vida dele e de seus familiares. A Petrobrás e o Planalto não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Em nota, o ex-deputado Jorge Bittar afirmou que foi apresentado a Otávio Cintra em 2005, em seu escritório, quando falaram sobre assuntos relativos à Petrobrás, mas que, após essa ocasião, não teve mais contato com Cintra. Bittar negou, ainda, que tenha recebido qualquer denúncia ou providência "de qualquer natureza".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.