Engenheiro da Petrobras culpa política interna

O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, apontou, na audiência pública convocada pela Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a divisão da Petrobras em unidades de negócios como uma das principais causas dos incidentes envolvendo a empresa nos últimos tempos. "A política atual da administração da Petrobras, comandada por Henri Philippe Reichstul, vem dividindo a empresa em unidades de negócios para privatizá-la, assim como reforçando a redução de mão-de-obra própria altamente especializada pela opção de terceirização em atividades de risco", denunciou Siqueira.Ele disse ainda que, de 1995 até hoje, o número de empregados da estatal baixou de 58 mil para 34 mil. Somente na Bacia de Campos, segundo ele, 7.500 trabalhadores são funcionários da Petrobras e 32 mil de empresas terceirizadas. Na Plataforma P-36, ainda segundo ele, 125 eram terceirizados e apenas 50, funcionários da estatal. "A missão atual da Petrobras é maximizar os lucros a qualquer custo. Houve um desvio da posição da empresa, que era a de abastecer o mercado nacional de derivados de petróleo aos menores custos para a sociedade brasileira, e com segurança", afirmou.Em sua exposição inicial na audiência pública, o presidente da Petrobras negou que haja correlação entre o acidente da plataforma P-36 e os acidentes anteriores em instalações da empresa, como os vazamentos de óleo recentemente ocorridos na Baía de Guanabara e no Paraná. Ele disse que as razões do acidente com a P-36 ainda são "uma grande incógnita". Reichstul considera também "prematura" a associação do acidente da P-36 com a terceirização dos serviços da Petrobras."Antes da comissão chegar a uma conclusão, o que deve acontecer em mais ou menos 30 dias, fica muito difícil fazer ilações sobre as razões desse acidente", observou ele. ?Tentamos, sob condições de enorme risco, salvar a plataforma. Nossos objetivos eram resgatar os corpos, descobrir com mais apuro as razões do acidente e evitar um desastre ambiental maior", afirmou. Reichstul relatou também a reestruturação da companhia e os investimentos de US$ 1 bilhão que fazem parte do programa para garantir, até 2003, a excelência ambiental e de segurança operacional da empresa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.