Mark Garten / ONU
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'Enfrentamos mais desafios urgentes a cada dia', diz novo presidente da Assembleia-Geral da ONU

Nigeriano Tijjani Muhammad-Bande defende cooperação entre países e organizações para a solução de problemas globais

Paulo Beraldo*, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 11h43

NOVA YORK, EUA - Quando o assunto é Assembleia-Geral das Nações Unidas, em geral a primeira lembrança é de um discurso dos chefes de Estado ou do secretário-geral da ONU. Mas, antes dessas autoridades, o primeiro a usar a tribuna é outro líder: o presidente da Assembleia-Geral. 

Recém-empossado, o diplomata nigeriano Tijjani Muhammad-Bande, de 61 anos, disse que a defesa da cooperação entre países e organizações será um dos focos de sua gestão, que começou em setembro e vai até 2021. 

“Enfrentamos mais desafios urgentes a cada dia. Olhe as mudanças climáticas: alguns países enfrentam até extinção (de algumas espécies). Não é ficção científica, é o que os países estão vivendo, com aumento de fenômenos como ciclones, enchentes, elevação do nível do mar”, afirmou ele em entrevista a jornalistas que participam de um programa de capacitação na ONU em Nova York. 

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Desde setembro, as Nações Unidas têm sido palco de eventos com lideranças internacionais sobre mudanças climáticas, o principal assunto da última Assembleia-Geral e das reuniões que ocorreram em paralelo. O ponto alto foi a presença da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, na semana passada, em fala incisiva a chefes de Estado

Bande assume a Assembleia-Geral em um momento em que alguns líderes exaltam o nacionalismo e o isolacionismo e às vésperas de a ONU completar 75 anos de fundação, em 2020. E é na união que ele aposta suas fichas. 

“Nenhum país sozinho pode enfrentar situações como as mudanças climáticas, o terrorismo, a migração. Existe um debate sobre a utilidade do multilateralismo, mas nenhum país saiu das organizações multilaterais”, disse ele. “Apesar da retórica, nenhuma nação pode se separar do mundo.” 

Ele afirmou ainda que o exemplo da Assembleia-Geral, que teve a participação de 192 dos 193 Estados-membros da ONU, é uma mostra de que o multilateralismo continua sendo importante. ”Se um fórum não é útil, você não vai lá falar”, afirmou Bande, exaltando a presença e a dificuldade logística para os líderes e representantes internacionais se deslocarem até os Estados Unidos

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“Temos muitos consensos, em alguns pontos os países têm visões fortes, sugerindo que a atuação deveria ser diferente. Mas isso é o que temos. Não é que o multilateralismo esteja morto, esse é o ponto. Todos os dias pessoas estiveram aqui trabalhando até 23h e debatendo sobre como resolver problemas juntos.”

Antes de assumir o cargo, Bande foi representante da Nigéria na ONU em Nova York, diretor do principal centro de política e estudos estratégicos de seu país e professor universitário na área de ciência política por quase 30 anos.

* O repórter viajou a convite da Organização das Nações Unidas 

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