Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Enfrentamento vira tática oficial anti-impeachment

Discurso de confronto adotado por Dilma segue linha lançada pelo PT na TV; para partido, aceno à oposição soaria como ‘fragilidade’

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - O discurso de confronto direto adotado pela presidente Dilma Rousseff e pela cúpula do PT contra setores da oposição a favor do impeachment da petista será a tônica para tentar tirar o governo das cordas e constranger os adversários. Dilma seguiu o script traçado na última semana e pôs em prática um tom mais duro contra as ameaças de seu afastamento do Palácio do Planalto ao participar anteontem da entrega de 700 casas do Programa Minha Casa Minha Vida, em Boa Vista, capital de Roraima.

“A primeira característica de quem honra o voto é saber que ele é a fonte de minha legitimidade e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”, afirmou a presidente numa referência indireta às lideranças do PSDB que defenderam durante a semana a realização de novas eleições. Na quinta-feira, em Brasília, os líderes tucanos na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defenderam o impeachment de Dilma e do vice-presidente Michel Temer para a convocação de uma nova disputa eleitoral. 

As declarações de Dilma ocorreram um dia após a petista convocar reunião com integrantes da coordenação política do governo para tentar encontrar alternativas para contornar o pior momento da relação com a base aliada no Congresso e fazer um “plano de ação” contra as investidas dos opositores.

Segundo o Estado apurou, no encontro, foi feito o relato de que integrantes da base aliada e do próprio partido refutaram a iniciativa do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de fazer afagos a opositores. Em audiência realizada na última quarta-feira, na Câmara, o ministro admitiu que o governo cometeu erros e pediu apoio da oposição. “Vocês têm experiências importantes na administração de Estados e do Brasil e precisamos ter pactos de política de Estado que vão além do governo”, disse Mercadante. 

De acordo com um interlocutor de Dilma, a postura adotada por Mercadante ressaltou a ideia de fragilidade do Palácio do Planalto num momento em que é necessário uma reação diante das manifestações da oposição a favor de novas eleições presidenciais.

Imagens. Em outra linha de ação, o PT voltou a usar em seu programa partidário, que foi ao ar em cadeia nacional de TV na quinta-feira, o tom e a fórmula da campanha eleitoral de atacar a oposição e até ironizou os panelaços dos quais Dilma e o partido são vítimas em aparições televisivas. Também mostrou imagens de adversários - os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), José Agripino Maia (DEM-RN) e dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Paulo Pereira da Silva (SD-SP). Os petistas pouparam, entretanto, outros líderes da oposição como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o senador José Serra (PSDB-SP). 

Ambos não têm militado pelo afastamento imediato de Dilma. Diante das atuais circunstâncias, Aécio Neves seria o principal beneficiado numa eventual nova eleição antes de 2018, quando o próprio Alckmin e Serra poderão disputar a vaga para a disputa presidencial dentro do PSDB. 

Economia. Embora a presidente Dilma Rousseff e a cúpula do PT tenham colocado em prática uma linha de ação de enfrentamento em relação ao impeachment, há ainda grande preocupação com a condução das atividades no Congresso, onde lideranças da base aliada têm aplicado uma série de derrotas ao governo. Entre as preocupação de parte da coordenação política está a criação de pautas na área econômica que possam apontar um caminho para a saída da atual crise. 

Há o entendimento de que o Executivo não tem uma pauta explícita para a retomada da economia, o que é considerado elemento fundamental para se retomar o equilíbrio na relação com os aliados descontentes. “Quem destaca crise, quer crise”, resume um ministro próximo à presidente. 

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