Enfraquecido, Balbinotti desiste do Ministério da Agricultura

O deputado federal Odílio Balbinotti (PMDB-PR) não será mais ministro da Agricultura do governo Lula. Enfraquecido pelas denúncias de irregularidades em operações financeiras, Balbinotti divulgou neste sábado uma nota na qual comunica a sua desistência da indicação. A desistência acontece apenas três dias após a indicação do deputado pelo PMDB. E antes das 48 horas do ultimato que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ao partido aliado para retirar a indicação do deputado. O PMDB pretende apresentar segunda-feira a Lula o nome do deputado Waldemir Moka para ocupar o cargo do ministro Luís Carlos Guedes Pinto. Terceiro secretário da Câmara, Moka é favorito por ser atuante na área e contar apoio do segmento agrícola. O nome do deputado Tadeu Filippelli (DF) também está no páreo, mas com menos chances do que Moka. Assim que o presidente Lula avisou que o PMDB ficaria com a pasta da Agricultura, o partido definiu que o ministério seria ocupado por um deputado da região Sul ou do Centro Oeste. A primeira opção foi Balbinotti. Os nomes de Moka e Filippelli fazem parte de uma lista de cinco deputados entregue ao presidente Lula pelo PMDB para escolher o novo ministro da Agricultura. Estão na relação também na relação os deputados Eunício Oliveira (CE), que já foi ministro das Comunicações do atual governo, e Fernando Diniz (MG). Mas, de acordo com integrantes da cúpula peemedebista, Diniz e Eunício estão descartados.Falsidade ideológicaA queda de Balbinotti começou tão logo foi indicado, com a divulgação da existência de um processo no qual é acusado de falsidade ideológica para conseguir prorrogar um empréstimo rural junto ao Banco do Brasil. Por ser deputado, o processo corre, em segredo de Justiça, no Supremo Tribunal Federal (STF).Maior produtor individual de sementes de soja do País e segundo maior patrimônio da Câmara - R$ 123 milhões declarados - Balbinotti foi acusado de ter falsificado papéis para alongar uma dívida bancária nos anos 90. Para conseguir um financiamento do Banco do Brasil, a empresa de Balbinotti teria forjado um pedido de empréstimo de cerca de 1,7 milhão de reais em nome de parentes e funcionários. O caso foi descoberto porque um dos funcionários envolvidos foi preencher um cadastro e constatou que era devedor de uma fortuna e processou Balbinotti. O deputado se defendeu dizendo que estava formalmente afastado da direção da empresa quando a transação foi feita. Não convenceu ninguém. Nem o PMDB, nem o Planalto, nem a opinião pública. "Sou honesto"Após encontro com o presidente Lula, Balbinotti se disse inocente e afirmou que não se sentia desconfortável com as cobranças, por não ter culpa. ?Sou inocente?, disse. ?Eu, o Balbinotti, comecei trabalhando na roça com 1 alqueire de terra e hoje, graças a Deus, Deus me iluminou e, graças à minha competência, hoje sou um grande produtor de semente?. Em entrevista ao Estado, Balbinotti afirmou que não estava preocupado em manter a indicação ao ministério, mas sim em "dizer ao Lula e ao Brasil que sou honesto".Depois de empossar três novos ministros na manhã de sexta-feira, o presidente Lula discutiu o problema da nomeação com o presidente do PMDB, Michel Temer, e com o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). A posse do novo ministro da Agricultura foi adiada sob alegação de que o atual ministro Luiz Carlos Guedes Pinto estava na Ásia, o que lhe impediria de fazer a transmissão do cargo. Mas o real motivo era a espera para a definição política do destino de Balbinotti pelo seu partido.TemorO Planalto temia que o prolongamento do noticiário sobre a atividades suspeitas do peemedebista acabassem por passar a opinião pública de que o segundo mandato de Lula seria apenas uma reedição dos escândalos do primeiro.Segundo um assessor de Lula, a carta-renúncia foi um movimento combinado com Temer, na sexta-feira. Lula teria manifestado a inconveniência de manter a indicação de uma pessoa sobre a qual pesa várias suspeitas ainda não esclarecidas. Para Lula, de acordo com relatos de políticos que estiveram com ele, Balbinotti seria um "ônus muito grande para o governo, uma fonte de desgaste permanente". O desgaste de Balbinotti também forçou o PMDB a retirar seu patrocínio do deputado em tempo recorde. A cúpula do partido não deseja que a legenda se desgastasse a ponto de perder a pasta da Agricultura. Até mesmo líderes do partido agastaram-se com o fato de que os processos de Balbinotti ainda não foram concluídos. "Ele ficaria permanente em suspeição", disse um líder do PMDB que conversou com Balbinotti. Leia a íntegra da nota de Balbinatti:Brasília, 17 de março de 2007Prezados amigos Michel Temer e Henrique Eduardo Alves,Peço que comuniquem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que retire meu nome do rol de indicados para ocupar o cargo de Ministro da Agricultura pelo PMDB. Agradeço a honrosa lembrança do presidente da República, aos companheiros da bancada e a todos que o apoiaram nessa indicação.Continuarei trabalhando pela agricultura do meu País, como parlamentar e como agricultor, profissão da qual muito me orgulho. Sobre os fatos levantados pela imprensa, não serei vil, responderei a todos e os esclarecerei como tenho feito em toda a minha vida, que sempre foi pautada de total transparência.Grande abraçoOdílio Balbinotti Deputado Federal

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