Enfraquecida, oposição faz ´guerrilha´ antigoverno

Sem estratégia eleitoral e bandeiras de apelo popular definidas sequer para 2008, PSDB e PFL vivem um dos momentos mais críticos desde que perderam a Presidência da República, há quatro anos. Fragilizada por uma coalizão de 11 partidos em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição tenta encontrar uma saída. Na tentativa de renovar a imagem, o PFL decidiu mudar de nome e de presidente. Já o PSDB fará uma pesquisa em busca de bandeiras que se coadunem com os anseios da população. Nesta quarta-feira, 28, o deputado Rodrigo Maia assume o comando dos Democratas, nova denominação dos liberais, com a missão de arejar o partido tanto em idéias quanto em quadros. Os tucanos, por sua vez, promovem uma reflexão sobre as dificuldades eleitorais, passadas e futuras. Em 20 dias, o partido programa rodar pelo País uma pesquisa junto ao eleitorado brasileiro. O objetivo é ouvir 3.400 pessoas e construir uma plataforma que encontre eco popular. A partir de maio, o PSDB realiza quatro encontros nacionais. Tática antes usada pelo PT Enquanto não recupera o prumo, a oposição recorre à "tática de guerrilhas" para enfrentar o governo, conduta que recriminou no passado. O arsenal de agora se assemelha ao utilizado pelo PT no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso: obstrução às votações, pedidos de CPIs e disputas na Justiça para reverter derrotas no Legislativo. Alguns líderes alertam que batalhas como essas não são suficientes para recuperar o poder em 2010. "Se não tivermos um projeto competente que demonstre os erros deste governo e a necessidade de crescimento do País, nós não teremos perspectiva de vitória futura. Nós temos pessoas que não entenderam isso ainda. O discurso moralista é importante, conquistou boa parte da classe média, mas isso não foi e não é suficiente", disse à Reuters o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA). Para Jutahy e outros políticos da oposição, é fundamental encontrar as bandeiras certas para derrotar o PT já nas eleições de 2008. A avaliação é de que, sem uma base municipal sólida, o projeto majoritário fica ainda mais distante. "O governo é uma coalizão poderosa. Tem uma maioria esmagadora. Temos que fazer guerra de guerrilhas, pois não temos uma tropa similar. Temos que ter idéias e clareza do que queremos", completou o tucano. A trincheira da oposição se restringe às disputas no Congresso, onde o governo conseguiu construir uma maioria confortável, especialmente na Câmara. Lá, a tropa adversária ao Planalto se resume a 140 deputados - de um total de 513. O número é insuficiente para barrar a aprovação de uma proposta de emenda constitucional. No Senado, a situação é mais equilibrada, apesar da condição minoritária. Somado a essas dificuldades, os dois partidos vêm perdendo deputados para legendas governistas. "Assim fica difícil fazer oposição", reclama o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Casamento em criseTucanos e pefelistas, aliados tradicionais, protagonizam uma crise conjugal e já preparam os termos do divórcio. O PFL joga para lançar um nome próprio à Presidência em 2010. O PSDB já tem dois pré-candidatos, os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, em briga interna velada. As divergências são evidentes no Congresso. A artilharia favorita do PFL é obstruir as votações, incluindo as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O PSDB resiste, pois prefere uma batalha de mérito, temendo uma repercussão negativa junto ao eleitorado. "Tem que entrar no mérito e mostrar que o PAC é um arremedo, um improviso. Mas não se mostra isso sem aprovar as medidas", disse o deputado José Aníbal (PSDB-SP). "Não podemos abrir uma avenida para Lula fazer um próximo mandato. Ou o PFL cria sua expectativa de poder, ou vai ser sempre o partido da resistência. Aqueles que pensam que vamos cair no colo dos tucanos em 2010, estão enganados", afirmou na semana passada o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), defensor da obstrução. Os desentendimentos no casamento oposicionista estimulam a criatividade de correligionários. Em verso, o deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) escreveu: "Que a oposição desunida/Ao bom senso agora apele/De um lado o PSDB/E do outro o PFL/ Já saiu até na Veja/O que cada um deseja/É salvar a própria pele."

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