Enem: estudantes reclamam da taxa de inscrição

Os estudantes do ensino médio classificam como abusiva a cobrança de R$ 32 pela taxa de inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado no dia 26 de agosto. Neste ano, alunos de instituições públicas e bolsistas de escolas particulares estão isentos da taxa. Mesmo estudantes de classe média, que teoricamente não teriam problema em desembolsar a verba, consideram o valor "salgado". É o caso de Regina Salles de Paula e Silva, que cursa o 3º ano no Colégio Palmares, em São Paulo, e arca com mensalidade de cerca de R$ 900. "A taxa do Enem é cara. Nem todo mundo pode pagar", observa. Esta opinião é compartilhada pela aluna de curso preparatório Mariana do Lago, de 18 anos, que vai prestar o Enem para tentar uma classificação melhor nos vestibulares e também para avaliar seu nível de conhecimento. "Além do Exame, a gente gasta dinheiro com um várias inscrições de vestibulares. Pesa muito".Para o tenente Atila Molina Rodrigues, cuja filha de 17 anos fará o exame, o Enem faz parte da "indústria da inscrição". "Virou um verdadeiro comércio. Como podem colocar uma taxa de R$ 32 para responder a 63 perguntas? Já imaginaram o quanto eles (MEC) vão arrecadar?", indaga.A coordenadora do Enem, Maria Inês Fini, explica que o valor da taxa reproduz fielmente o custo de aplicação e correção do exame. "Não há nenhum tipo de sobretaxa ou lucro. É um absurdo este tipo de reclamação", declara. Ela explica que em 2000 esse custo também era de R$ 32, mas, como havia um subsídio do governo, o valor da inscrição ficou em R$ 25. Porém, neste ano, a taxa de inscrição corresponde ao custo integral de aplicação e correção do exame, por causa da isenção dada aos estudantes da rede pública.A coordenadora informa que em 2000 o número de inscrições chegou quase a 400 mil e diz que espera o dobro para este ano, em razão da isenção aos alunos da escola pública, do intenso trabalho de divulgação desta isenção que o MEC está realizando junto às instituições e também da maior participação da nota do Enem em alguns vestibulares. Mais do que a redução da taxa, a presidente nacional da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Carla Santos, defende que a inscrição seja gratuita para todos. "Além da taxa, a prova acaba ´ranqueando´ os melhores para as melhores (faculdades) do País. É uma espécie de vestibular". Para ela, a prova se desvia da proposta original, que é avaliar o ensino médio. Segundo a presidente, os estudantes fazem o exame visando apenas à Faculdade. "Sinceramente, só vou prestar o Enem para aumentar as minhas chances de passar no vestibular", confirma estudante Regina Salles.Carla Santos diz que a discussão não deve ser restrita somente à questão do preço da taxa. "Temos de atacar a causa do problema, para que os alunos da escola pública possam concorrer com os dos colégios particulares". As causas do problema no ensino público, segundo ela, seriam a infra-estrutura e a formação deficiente dos professores e funcionários. "O MEC tem de parar de se preocupar com o seu celeiro de estatísticas e olhar para a qualidade de ensino", afirma, criticando a atitude do Ministério de contabilizar o total de estudantes aprovados no vestibular que vieram da escola pública.A prova do Enem é constutida de 63 questões de múltipla escolha, abrangendo várias matérias, e de uma proposta de redação. Os interessados podem efetuar a inscrição pelo correio ou pela Internet (www.enem.inep.gov.br/inscricao), entre os dias 16 e 27 de abril. Atualmente, 197 instituições de ensino superior no País utilizam o Enem como forma de seleção de candidatos aos cursos de graduação.

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